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Freguesia de 1887, pertencente à
Paróquia de
São Paulo de Muriaé.
Grande
extensão
territorial,
com 470
fazendas e 4.000
habitantes na
década de 1870. No
seu
extremo
sul apareceu, ao
final dos
anos de 1880, o
povoado de
Bom Jesus da
Cachoeira
Alegre
com
metade da
extensão
territorial e
população.
Quando
Palma alcançou
autonomia
administrativa, a
população somada de
São Sebastião e
Bom Jesus
era 40%
superior à de
Palma. No
processo de
incorporação, os 4.200
habitantes de
São Sebastião permaneceram
vinculados a Muriaé e os de
Bom Jesus passaram a
Palma
que teve,
então,
sua
população aumentada de 5.000
para
quase 8.000
habitantes.
Houve
muita
disputa
política
entre o
final do
século
anterior e a
primeira
década do
século XX,
com os
administradores de
Palma querendo
exercer o
poder
sobre
São Sebastião da
Cachoeira
Alegre.
Em 1911
veio a
decisão a
favor de
Palma, o
que
não agradou aos moradores.
Prosseguiram as
disputas
até
que,
em 1920,
São Sebastião da
Cachoeira
Alegre passou
para o
distrito de
Silveira
Carvalho, pertencendo a Muriaé.
Entre os
mentores desta
nova
divisão
administrativa encontram-se, entre
outros, os Silveira
Carvalho, Duarte, Almeida,
Rocha, Lammoglia, Meloni e
Montovani.
Bom Jesus da
Cachoeira
Alegre permaneceu
em
Palma
até 1962,
quando o
distrito de
Morro
Alto foi
elevado a
município
com o
nome de
Barão de
Monte
Alto. O
principal
motivo da
separação foi o
abandono a
que estava relegado o
distrito de
Morro
Alto, ao
qual
Bom Jesus havia sido incorporado.
Na
década de 1920 as
localidades de
Morro
Alto,
Bom Jesus e
São Sebastião receberam
muitos
imigrantes portugueses, atraídos
pelo
baixo
preço das
terras esgotadas
pela
monocultura de
café.
Desde o
final do
século
anterior
já havia
grande
número de
imigrantes,
especialmente italianos,
em
São Sebastião da
Cachoeira
Alegre. A
multiplicação de
pequenas
propriedades,
onde
outrora existiram verdadeiros
latifúndios produzindo
apenas
café, modificou sensivelmente o
panorama
local. Muriaé,
que foi o 16º
município
brasileiro
em
produção
cafeeira naquele 1920, aos
poucos passou a dedicar-se a outras
atividades, liberando
grande
extensão de
terras
para os neo-agricultores.
Assim, portugueses e italianos
atingiram o
sonho da
terra
própria.
Infelizmente,
porém, foram os
mais atingidos
pela
quebradeira de 1929.
Entre outras
famílias
que participaram desta
retomada do
crescimento está a do
tio do
poeta Miguel de Torga,
que saiu de Leopoldina
para
comprar a
Fazenda de
Santa
Cruz
em
São Sebastião da
Cachoeira
Alegre, na
época
distrito de Muriaé
com o
nome de
Silveira
Carvalho.
Seus
familiares estão
profundamente vinculados ao
movimento
político
que resultou na
criação do
município de
Cachoeira
Alegre e permaneciam
em
sua
administração
até a
realização desta
pesquisa,
em 2001.
Quanto aos
descendentes de italianos, a
geração
nascida a
partir de 1930 conheceu
dificuldades
inomináveis.
Embora a
energia
elétrica tenha
chegado a Muriaé
em 1910,
seus
distritos
só a conheceram
dez
anos
mais
tarde.
Por
outro
lado,
Palma
só teve
energia
elétrica a
partir de 1920 e
até 1964
este
benefício
não
tinha
chegado ao
distrito de
Morro
Alto.
Da
mesma
forma teve
influência a
baixa escolarização dos
habitantes.
Apesar de Muriaé
oferecer
educação
nos
distritos
desde o
final do
século XIX, as
disputas
políticas
em
São Sebastião da
Cachoeira
Alegre impediram a
criação de
escolas
antes de
sua re-anexação à
antiga
sede.
Enquanto Muriaé contava
com 36
núcleos de
educação
básica
em 1916, o
município
vizinho atendia
apenas a
população da
área
urbana
em
suas 6
escolas.
Este texto foi
composto a
partir de
informações obtidas em:
-
entrevistas
com
descendentes dos
Correia da
Rocha;
-
entrevistas
com
descendentes de italianos;
-
relatórios da
Presidência da
Província de
Minas
Gerais;
-
dados
estatísticos fornecidos
pelo
Centro de
Documentação da
Fundação IBGE;
-
dados
estatísticos da
Secretaria Estadual de
Educação de
Minas
Gerais;
-
Fundação Henrique Hastenreiter e
sua
Revista de Historiografia
Muriaeense;
-
Revista
Municípios,
número dedicado a Muriaé;
- FARIA, Maria Auxiliadora de. O
que ficou dos 178
anos da
história de Muriaé. Itaperuna,
RJ: Damadá, 1985. |