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Oswaldo França
Júnior nasceu na
cidade do Serro,
em
Minas
Gerais. Fez os
estudos de 1º
grau no Serro,
Belo
Horizonte e
Ouro
Preto. Ingressou na
Aeronáutica
em 1953, cursando a
Escola
Preparatória de
Cadetes do
Ar de Barbacena e terminando o
curso de
formação de
Oficiais
Aviadores
em 1959. Especializou-se
em
aviação de
combate
em
Fortaleza, Ceará, servindo
após
em
Porto
Alegre,
Rio
Grande do
Sul e
novamente
em
Fortaleza.
Quando estava
em
Porto
Alegre, iniciou o
curso de
Economia,
mas
não chegou a terminá-lo,
porque teve
que
voltar à
vida
civil
em 1964. Foi acusado de
subversão
pelo
movimento
militar
que destituiu o
Presidente da
República.
Após
deixar a
Aeronáutica, dedicou-se à
literatura, exercendo, simultaneamente, várias
atividades:
corretor de
cereais, de
imóveis, de
mercado de
capitais. Negociou
carros usados; exerceu a
função de
gerente de
linha de
ônibus, de
concessionária de
carros
novos. Foi
sócio de
empresa de
táxi,
proprietário de
bancas de
jornal e
carrocinhas de
pipocas. Trabalhou
também na
confecção de
projetos
industriais
para a
área da Sudene e da Sudam.
Seu
primeiro
livro foi O
viúvo, publicado
em 1965. Narra a
história de
um
homem e
seus
dois
filhos
menores
após a
morte da
esposa. O
leitor compartilha intimamente dos
seus
sentimentos, do
seu
desamparo
até
chegar a
um
desfecho
inesperado – a
morte de Pedro, o
protagonista.
Mas foi com
Jorge,
um
brasileiro ,
escrito
em 1967,que
ganhou o cobiçado
Prêmio Walmap e se projetou no
universo
literário. A
narrativa desnuda a
viagem de
um
caminhoneiro pelas
estradas de
Minas, na
época da
construção de Brasília.
Viagem
em
estrada
tortuosa,
com
destino
aparente,
embora a
direção
não seja
importante. Essa
viagem é orientada
por
um flash-back
principal
que, na
verdade, ocupa
toda a
narrativa.
O
romance
Um
dia no
Rio surgiu
em 1969.
Com
extraordinário
vigor e
visão, apresenta os
acontecimentos ocorridos
em 1968,
época
em
que o
país presenciara as
grandes
manifestações estudantis, apoiadas
por
consideráveis
parcelas da
população, e combatidas pelas
forças repressoras.
Essas
manifestações
são utilizadas
como
pano de
fundo dos
problemas
individuais de
um
corretor
mineiro
que vai ao
Rio e,
durante
um
dia de
negócios, vê-se envolvido nas
tramas do
protesto
político.
O
homem de
macacão, surgido
em 1972,
gira
em
torno de
um
mecânico de
automóveis na
sua
luta
pela
sobrevivência,
suas
relações amorosas,
tentativas de
êxito
profissional e
sua
grande
capacidade de
resistência aos inúmeros
obstáculos
que a
vida
lhe apresenta. Trata-se de uma
historia
em
que os
fatos e os
personagens
em
nada sobressaem ao
dia a
dia
comum dos
brasileiros;
talvez,
por
isso,
nos surpreende a
força
com
que somos atraidos e
presos ao
livro
A
volta
para Marilda, publicado
em 1974, é
narrativa
introspectiva
em flash-back
sobre uma
briga de
amor. É a
história de
um negociante de
materiais de
construção
com
problemas,
desprazeres e
incoerências da
própria
vida; o
laço homem-mulher é
mais
mental
que
físico..
Em 1976 surge o
romance Os
dois
irmãos
em
que
um
irmão
tenta
convencer o
outro a
não
passar o
tempo procurando
ouro e
diamantes.
Procura convencê-lo a
abandonar
aquele
sonho, a
mudar o
modo de
encarar a
vida.
Cria uma
narrativa
simples, e
profunda, marcada
pelo
tom de
parábola,
em
que os
personagens representam
modelos de
comportamento
humano. Leva-nos a
refletir
sobre o
valor da
solidariedade num
mundo
indiferente.
A
obra As
lembranças de Eliana. Surgida
em 1978,
retrata o
dia a
dia de uma
mulher
que vive
sua
solidão
povoada de recordações da
vida
que foi passando
através do
irmão, do
pai, do
marido, do
filho, de
mortes, de
medos e de
perdas. A
narrativa
mostra a
condição da
mulher na
família
brasileira de
classe
média,
sua
posição numa
sociedade
patriarcal
onde
não conseguiu
ainda o
espaço
para a
plena
realização
pessoal.
Aqui e
em
outros
lugares, surgiu
em 1980. É uma
façanha
literária;
um
romance
onde
não existe uma
história
central. Os
personagens,
sem
identificação
nominal e
sem estarem relacionados
entre
si, desfilam
em várias
histórias
independentes, formando,
porém, uma
obra
una e coesa.
Os
personagens
vão surgindo e, à
primeira
vista, parecem
muito
diferentes;
porém, na
essência,
são
todos
iguais, movidos
pelos
mesmos
sentimentos e
sujeitos às mesmas
limitações. Esta
identidade é
que une e faz
com
que a
série de
fatos e de
situações se torne
um
romance
original.
Em 1982, França
Júnior apresenta Á
procura dos
motivos, É a
história de
um
homem,
aparentemente realizado na
sua
vida de
cidadão,
aparentemente
feliz
em
sua
vida
emocional e
sentimental,
sem nenhuma
problema
com a
família
ou
com a
sociedade,
que
abandona
tudo.
Depois de
percorrer
alguns
lugares, retira-se
para uma
fazenda
onde morre
sem
aceitar
ajuda de
médico
ou
família. O
mistério de Reginaldo fecha-se
em
sua
própria
morte.
Dois
anos
depois,
seus
filhos
vão
conhecer a
fazenda, à
procura de
informações
que esclareçam o
seu
desaparecimento
inexplicável. E a
viagem se transforma
em uma redescoberta daquele
homem
que os abandonara
ainda
jovens, de
quem guardam
apenas
imagens da
infância e
adolescência.
Com O
passo
bandeira, publicado
em 1984, o
autor realiza o
grande
romance
sobre a
Aeronáutica
brasileira.
Sob uma
aparente
simplicidade, leva-nos a
perceber o
verdadeiro
espírito de
nossos
aviadores
militares.
À
medida
que se
avança na
leitura, sente-se a
história de
um
oficial
expulso da
Força
Aérea
por
motivos
políticos,
com a
descrição de
seus
pontos de
vista,
seus
desajustes
afetivos,
sua
árdua
luta
pela
sobrevivência
para
novamente se
afirmar
como
pessoa..Há
também a
história
dramática e
profundamente
humana dos
acontecimentos relacionados na
narrativa.
Através de
um
fino
humor, percebe-se uma
visão do
papel da
Aeronáutica no
contexto do
país.
Em 1985, surge As
laranjas
iguais,
coletânea de
contos, desnudando a multiface do
talento do
escritor. O
conto ‘Eu
não o conheci’, considerado uma
obra-prima do mini
conto
brasileiro, aborda a
incomunicabilidade
entre
pais e
filhos.
Há no
livro sessenta
contos
que prendem o
leitor,
pela
doce e
suave
harmonia do
conjunto
como uma
música
erudita. Apresenta
temas
sugestivos e
profundos, numa
linguagem impregnada de
atmosfera
poética,
onde o
real e o
fantástico se mesclam,
através de
um
mínimo de
frases e
palavras.
O
escritor revela o
homem
com
suas
grandezas e
misérias, aflorando
mundos
interiores enigmáticos e
desencadeando, no
leitor, a
percepção de
um subtexto
pleno de
significados.
É
livro
para
ser lido, relido,
para
meditação , e, a
cada
leitura, descobrir-se-á
como
são múltiplas as
facetas da
condição
humana e
como é
arriscado quaisquer prejulgamentos
sobre o
outro.
O
romance Recordações de
amar
em
Cuba surgiu
em 1986.
Fala
sobre a
viagem do
autor e de
outros
cinco
escritores
brasileiros a
Cuba, a
convite do
governo
socialista
para julgarem o
Prêmio
Literário
Casa das Américas.
É
narrativa realista, relato de
viagem
que
procura
mostrar a
vida de
um
povo
que conseguiu
dignidade
para
viver
em
solidariedade. É uma
história de
amor
com
observações
pessoais e
reflexões a
respeito do
tão
controvertido
regime de Fidel Castro.
O
último
romance de França
Júnior, publicado
em
vida, é No
fundo das
águas,
pois morreu
prematuramente aos 52
anos,
em 1989,
perto do
trevo da
cidade de João Monlevade, na
fatídica BR – 262.
Por
ter sofrido
diretamente os
efeitos da
ditadura
militar
logo
em 1964, o
romancista teve aguçada
percepção da
condição
social do
país;
por
isso, percebe-se, na
obra, uma
preocupação
com a
realidade
brasileira
como os
efeitos dos
empreendimentos
tecnológicos
que, muitas
vezes, acabam produzindo uma
certa
melancolia no
homem
brasileiro,
sobretudo, nas
pessoas
simples
que formam o
povo.
Na
verdade, a
narrativa de França
Júnior nasce do
contato
com a
realidade da
experiência e da
ação, produzindo
um
trabalho
fascinante,
destruidor e
construtor,
que o
capitalismo vem realizando no Brasil,
criando,
com
recursos memorialísticos,
por
conseqüência, no
interior dos
personagens, as
solidões
individuais;
por
isso, a
temática de No
fundo das
águas é o
caminhar
humano
para a
morte, tecendo as
lutas e os
sonhos dos
humildes
personagens.
O
ângulo escolhido
pelo
escritor é
sempre de
frente
para os
acontecimentos e
em
posição de
absoluta
exterioridade
em
relação ao narrado. A
vida dos
personagens é mostrada num
recorde,
sem
desenvolvimento, e uma
característica dessa
obra é a
insistência
nos
acontecimentos
exteriores,
como
forma
contemporânea de
ordenar e
interpretar a multiplicidade e a
habilidade da
experiência.
Pode-se
dizer
que França
Júnior recria uma
parte da
história do Brasil
em
moldes
individuais,
através de
sua
própria
vivência,
porque é
um
escritor da
realidade
social
brasileira
que viu, revelando,
portanto,
identidade cultural
brasileira, ao debruçar-se
sobre
acontecimentos
vitais ligados à
construção de Brasília.
E,
assim, França vai tecendo
fios da mineiridade, pautados nas
ações do
cotidiano,
por
meio de
suas
histórias, realçando a
solidariedade do
mineiro,
pois os relatos
são
frutos da
própria
experiência do
autor
em
suas
andanças pelas
Gerais.
Conclui-se
que a
maioria das
obras apresenta
semelhanças
marcantes, seja no
enredo
ou no
conteúdo e
são dispostas de uma
forma
cuja
redação possibilita uma
atmosfera intimista e muitas
vezes popularesca.
A
ficção de França
Júnior é
também
sutil
comédia de
costumes; se,
por
um
lado, os
personagens se fundem numa
realidade
mundana,
por
outro,
seus
dramas
individuais cativam
graças a
um
estilo
espontâneo: os
incidentes
não
são lembrados,
mas revividos,
com
insistência e
confusão.
Cada
narrativa demonstra uma
tendência a
envolver o
leitor,
por
meio de
um
tom intimista e confessional de
inconsciente autoanálise. O
interesse
principal de França
Júnior é
pela
psique de
seus
personagens
cujos
hábitos estão interligados ao
desenvolvimento
que o
cenário e a
atmosfera produzem.
A
linguagem é despojada,
direta , revelando a
língua
falada
atualmente.
Como
romancista alcançou
um
equilíbrio
satisfatório
entre o
universo
psicológico e o
social
como se percebe
inclusive
pela
manipulação da
linguagem.
Seu
universo ficcional é uma
análise
objetiva da
natureza
humana
com todas as
suas
virtudes e
defeitos e o
que faz a
obra
ser aceita é a
espontaneidade de
sua
técnica
narrativa..
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