Luiz
Raphael Pintor, animador cultural e professor
Um artista da memória e da luz
Luiz Raphael Domingues Rosa nasceu e morreu em Leopoldina.
Em 1983, criou o Espaço dos Anjos, um museu, centro cultural e
escola livre de desenho e pintura, na casa em que o escritor paraibano
Augusto dos Anjos viveu seus últimos na cidade mineira. Durante
25 anos, manteve o Espaço aberto e se tornou um guardião
da poesia de Augusto e também do passado e do presente da região
de Leopoldina, projetando a cidade nacionalmente. Seu nome era uma referência
em matéria de preservação da alma coletiva da sua
terra e também um sinônimo de alegria, animação
carnavalesca, atenção e carinho por todos que deles se aproximavam.
Sua pintura trata da natureza da Zona da Mata e principalmente da cidade,
com seus costumes, festas e cotidiano, mostrando céus, morros,
rios, casas, becos, esquinas, quebradas, climas e sentimentos banhados
de uma luz brilhante e calorosa.
Segundo Ernandes Fernandes, “sempre vigilante e atento, Luiz Raphael
fez de sua obra um constante documento das diversas faces e épocas
de Leopoldina, tendo por isto o mérito dos precursores, daqueles
que anteveem a necessidade das ações; e, paciente e deliberadamente
ao longo dos anos, manteve viva a memória local.”
Trajetória de Luiz Raphael
Nasceu na casa de sua avó materna na praça General Osório,
73, em Leopoldina. Filho de Geraldo Rosa, o famoso Quadrado, jogador do
Esporte Clube Ribeiro Junqueira e Maria de Lourdes Gomes Domingues, filha
caçula do comerciante português Raphael Domingues e de Idalina
Teixeira Gomes. Estudou no Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e no Colégio
Estadual Professor Botelho Reis.
Em 1964 vai para o Rio de Janeiro onde permanece
por nove anos, tendo trabalhado na Editora Delta Larousse e no jornal
Correio da Manhã.
1970/71 – Ilustração de histórias
infantis no Domingo Ilustrado, jornal semanal de Bloch Editores.
1970 – Ambientação para o carnaval
do Clube Leopoldina. Em 74, 75 e 81 faz a ambientação
carnavalesca do centro de Leopoldina e em 77, 78, 86, 87 e 88 decora
o Clube do Moinho para o carnaval.
1972 – Participa da montagem da exposição
comemorativa do Sesquicentenário da Independência no Museu
de Belas Artes do Rio de Janeiro.
1973 – Menção honrosa no concurso de
artes visuais da Faculdade de Filosofia de Cataguases.
1975 – Primeira exposição individual
na Associação Comercial de Leopoldina. Participou do Salão
Nacional de Artes Plásticas no Palácio da Cultura, no
Rio.
1977 – Participação na equipe de programação
visual do IBAM para o Metrô do Rio de Janeiro.
1978 – Curso de desenho com Roberto Magalhães
na Escola de Artes Visuais do Rio.
1979 – Mostra individual na 43a Exposição
Agropecuária Industrial de Leopoldina. Expõe no encontro
de ex-alunos do Colégio Estadual Professor Botelho Reis, em Leopoldina.
1980 – Trabalha com o carnavalesco Fernando Pinto
na equipe de decoração do Terceiro Baile do Pão
de Açúcar, no Rio. Exposição no Conservatório
Estadual de Música Lia Salgado, em Leopoldina.
1982 – Forma-se em Educação Artística
no Conservatório Lia Salgado. Participa de mostra coletiva no
segundo encontro de ex-alunos do Colégio Estadual Professor Botelho
Reis.
1983 – Inaugura o Espaço dos Anjos, na casa
onde viveu e morreu o poeta paraibano Augusto dos Anjos.
1984 – Exposição individual na Biblioteca
Regional de Copacabana, no Rio.
1985 – Faz a programação visual e dirige
a montagem dos festejos dos 50 anos da Exposição Agropecuária
e Industrial de Leopoldina.
1986 – Viagem cultural pela Península Ibérica.
1990 – Decoração da danceteria Delirium,
em Leopoldina.
1992 – “Impressões de viagem”, mostra de desenhos
no Espaço dos Anjos.
1994 – Mostras individuais na Galeria da Caixa Econômica
e na Galeria do Sesi em Belo Horizonte. Ainda em 94, promove dois concertos
ao ar livre em Leopoldina. O primeiro em frente ao Espaço dos
Anjos: apresentação do “Bolero” de Ravel, com o Conservatório
Lia Salgado. O segundo na praça General Osório, com o
Coral da Copasa, de Belo Horizonte e o Conservatório Lia Salgado.
1995 – Expõe suas pinturas em várias
vitrines da rua Barão de Cotegipe, em Leopoldina, aproximando-as
da população. Recebe o prêmio Imprensa 95, em Artes
Plásticas, em Leopoldina.
1996 – Exposição no Espaço dos
Anjos por ocasião dos 90 anos da Escola Estadual Professor Botelho
Reis.
1997 – Fundação da banda Anjos Travessos
para animar o carnaval de rua leopoldinense. Escreve coluna no jornal
Via Popular, de Leopoldina.
1999 – Expõe na inauguração
do Espaço Cultural dos Correios e Telégrafos em Leopoldina.
2000 – Exposição de pintura com o tema
São Sebastião na Usina Cultural de Leopoldina.
2002 – Apresentação do Auto do Feijão
Cru, de sua autoria, no Conservatório Lia Salgado.
2003 – Participação em mostra coletiva
de artistas leopoldinenses na Sala Multimeios do Instituto Francisca
Peixoto em Cataguases. Recebe medalha de Honra ao Mérito da Câmara
dos Vereadores de Leopoldina.
2004 – Participação em mostra coletiva
de artistas leopoldinenses na Usina Cultural de Leopoldina.
2006 – Torna-se bacharel em Comunicação
Social pela Unipac – Campus Leopoldina.
É preciso destacar ainda suas atividades como professor, não
só nos cursos livres do Espaço dos Anjos, como também
nas disciplinas de artes cênicas e artesanato no Conservatório
Lia Salgado e de educação artística nas escolas estaduais
Professor Botelho Reis, Omar Peres, Salgado Lima e Emílio Ramos
Pinto.
Manteve aberto o Espaço dos Anjos com as mensalidades dos cursos
que nele ministrava e promoveu nele lançamentos de livros e exposições
de vários artistas.
Seu trabalho de difusão cultural projetou Leopoldina nacionalmente
como a última morada de Augusto dos Anjos e a cidade passou
a receber visitas de pesquisadores. Foi no Espaço dos Anjos
que a escritora Ana Miranda encontrou material para traçar
o perfil de Leopoldina em 1914, época em que se passa seu romance
“A última quimera”, da Companhia das Letras. Luiz Raphael contribuiu
também com documentos inéditos para a “Obra completa
de Augusto dos Anjos”, da Editora Nova Aguilar.
Graças a doações da família do poeta, em
1994, o Espaço dos Anjos tem hoje um dos maiores acervos do poeta
paraibano. O acervo do Espaço se formou também através
de doações de pessoas das mais diversas procedências
e origens, que nele depositaram objetos ligados às suas lembranças
pessoais e familiares.
Os quadros nesta página são pinturas a óleo sobre tela,
à exceção de Caminha, um desenho com grafite
sobre papel