100 anos da Colônia Agrícola da Constança

Coluna publicada n'O Leopoldinense, julho 2006

 

            É bem provável que alguns leitores se recordem de uma série de colunas que, em parceria com a historiadora Nilza Cantoni, escrevemos para um outro jornal da cidade, por ocasião dos 90 anos da Colônia. Foram mais de duas dezenas de textos falando sobre a formação da Constança, seu funcionamento, as fazendas que foram divididas em lotes e, as famílias que ocuparam esses lotes. Todos, com um único objetivo: Lembrar e homenagear os bravos imigrantes e descendentes que fizeram da Boa Sorte e da Constança a “nova pátria”.

            Agora voltamos ao assunto. Com a diferença que desta vez, trazemos uma proposta aparentemente audaciosa, qual seja a de começarmos a pensar e preparar algumas atividades para, em 2009, comemorarmos o centenário da Colônia Constança.

            - Isto é uma loucura, dirão alguns. Isto é inviável, pensarão outros.

            De nossa parte diríamos, pelo contrário, que julgamos ser perfeitamente factível. E ousaríamos mais. Diríamos que isto é muito fácil. Que é infinitamente mais fácil do que sair da Itália, há um século passado, num navio que oferecia pouca certeza de que chegaria ao destino, com praticamente a roupa do corpo  e, num lugar onde se falava outra língua, do outro lado do mundo, vencer trabalhando num lote de terras.  Organizar esta comemoração é muito mais fácil do que arrancar o sustento da família de cinco alqueires de terras e, ainda, fazer dos filhos e netos cidadãos honrados e respeitados na cidade.

Para nós, em outras palavras, organizar uma comemoração do centenário da chegada desta gente é um nada, diante do que eles fizeram pela cidade. Porque existe um mundo de atividades de organização simples e de baixo custo, que necessitam apenas serem direcionadas neste sentido. Torneios esportivos (são dois campos na Boa Sorte e um na Constança); uma festa na igreja de Santo Antonio, na Onça (igreja construída em 1915, com a ajuda dos colonos); atividades escolares mostrando a importância da Colônia; pequenos textos e notas nos jornais e revistas da cidade; comentários em programas de rádio; reuniões de descendentes das famílias de colonos e inúmeras outras atividades que poderão até contar com o apoio de instituições ligadas a programas de intercâmbio Brasil-Itália.

            Na verdade acreditamos que, basta querer e devotar um pouco de interesse pelos antigos imigrantes que as comemorações surgirão naturalmente.

Basta pensar na força e importância de seus descendentes, que pode ser medida até mesmo pelo número deles espalhados pelas ruas, pelo comércio, pelas indústrias, pelas empresas de serviços e por toda a sociedade leopoldinense.

Basta vontade de não querer esquecer estes heróis do passado.

Basta ter orgulho dos próprios antepassados.

           Basta você, leitor-descendente, divulgar esta idéia na sua família e dar o primeiro passo. Chamar os parentes e formar a primeira equipe que disputará um grande torneio de congraçamento entre as diversas famílias de colonos.

            Basta você, professora, convidar seus alunos a escreverem sobre esses italianos.

           Basta você, sitiante que hoje é proprietário de terras na Colônia, escrever na porteira do seu sítio o número do lote ao qual pertenciam as suas terras.

            Basta você, cavaleiro que aprecia uma cavalgada, programar a próxima para conhecer os caminhos dos lotes da Colônia Constança.

            Basta você......ter vontade. O resto, o sangue daqueles velhos italianos resolverá.

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