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O
pesquisador Alberto Cabassi,
em
discurso de
abertura de
um
Seminário de
Estudos
Históricos
sobre a italianidade, lembrou
que
estudar o
passado é
buscar raízes
mais
fortes
que pavimentem o
caminho
em
direção ao
futuro. Frederico Sotero Toledo, no
livro
Outros
Caminhos, acrescenta que o
resgate do
passado, da
memória
coletiva, das
tradições e
valores cultivados
pelo
homem
nos permite
saber o
que somos e
reconhecer de
onde viemos. E é corrente entre os
índios peruanos que
um
povo
que
não sabe de
onde veio
jamais saberá
para
onde ir.
Tentamos trilhar caminhos
semelhantes aos indicados por estes mestres na série de
textos sobre a
Colônia Agrícola da Constança. Hoje buscamos algumas raízes do sobrenome
GOTTARDO e as razões dos distanciamentos entre parentes.
Inicialmente devemos dizer
que o nome Gottardo,
segundo Ciro Mioranza no seu
Dicionário dos Sobrenomes Italianos, é de origem germânica e significa
“forte ou valoroso,
com o
auxílio de Deus”. Aparece como
nome de
um Santo, San Gottardo, no
século X, na Alemanha. E segundo
consta, São Gotardo foi canonizado
em 1131 e é venerado na Baviera,
Suíça e
norte da Itália.
O
sobrenome é de
alta
incidência no Veneto,
especialmente em Padova e Venezia.
No
cemitério Noventa Padovana, a
poucos
quilômetros da
cidade de Padova,
são encontrados mausoléus da
família. Nas
pequenas
cidades às
margens da
rodovia
que
liga Padova a Venezia, localizamos
diversos
grupos de Gottardo. Numa delas,
Vigonza, vivia a
família de Antonio Gottardo
antes de
passar ao Brasil
pela
primeira
vez,
em 1888.
Quanto ao distanciamento
entre parentes dos imigrantes, é de se esclarecer que
não foram poucas as vezes em que
nos deparamos
com
histórias de membros de uma mesma
família que se separaram
por
longos meses porque o pai foi
trabalhar numa
colina ao
norte
ou num
vinhedo ao
sul de
sua comune, na Itália.
No
caso da
família Gottardo, no
início das
pesquisas
não conseguíamos
compreender a
separação de
pais e
filhos e o distanciamento existente
entre alguns
parentes aqui no Brasil. Com o
correr das pesquisas observamos que o fato se repetia com certa freqüência
em outras famílias e que existia uma razão determinante. Esta razão era o
costume dos pequenos lavradores do Veneto de partirem para trabalhar em
outras regiões e até mesmo fora do país, devido à
falta de
emprego numa Itália
que se adaptava à
nova
ordem
econômica e obrigava seus filhos a
buscar
trabalho nas empresas
agrícolas
que surgiam.
Foi este o caso de Antonio
Gottardo que, após o
falecimento de sua esposa, Teresa
Luigia Guerra, em
abril de 1886, com dificuldade para
encontrar o sustento dos sete filhos que dele dependiam e que não podiam
ficar sozinhos
durante os meses que precisava se
ausentar, decidiu cruzar o Atlântico em 1888. Muito provavelmente, a
exemplo do
que ocorreu
com
imensa
leva de outros imigrantes italianos,
pensando
em trabalhar
por
algum
tempo no Brasil para depois
retornar à
terra natal,
como fizera em
anos anteriores na Itália.
Com Antonio Gottardo
viajaram outras
famílias
que
também seriam contratadas
por
fazendeiros de Leopoldina e
dois grupos que,
embora
não tenham vindo
para a
nossa
cidade, eram
seus aparentados e acabaram por
permanecer isolados pela dificuldade de comunicação daquela época. O
primeiro deles, capitaneado por Luigi Guerra foi
para
São João Nepomuceno. O outro,
chefiado
por Lucia Gottardo, ficou
em
Juiz de
Fora. O mesmo deve ter ocorrido com
os familiares que viviam em outros lugares no final do século XX, como um
grupo que se instalou em São João del Rei e outro que optou pelo solo
capixaba e não mais procuraram os parentes que se fixaram em Leopoldina.
Daí considerarmos de grande
valor a
iniciativa do
Arquivo
Histórico do
Espírito
Santo,
que
não
só facilita a consulta a
seus documentos, à distância,
como
incentiva o
resgate das
ligações
familiares dos oriundi. Uma
iniciativa
que
poderia
ter
seguimento
em Leopoldina,
através de
um
projeto de
resgate da
memória dos italianos
com
vistas às comemorações do
Centenário da
Colônia da Constança.
VAMOS COMEMORAR O
CENTENÁRIO DA COLÔNIA AGRÍCOLA DA CONSTANÇA?
ABRACE ESTA IDÉIA!
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