Capela de Santo Antônio, símbolo da Colônia Agrícola da Constança

100 anos da Colônia Agrícola da Constança

RESGATAR O PASSADO PARA ENTENDER O PRESENTE  

 

Coluna publicada n'O Leopoldinense, agosto 2007

 

O pesquisador Alberto Cabassi, em discurso de abertura de um Seminário de Estudos Históricos sobre a italianidade, lembrou que estudar o passado é buscar raízes mais fortes que pavimentem o caminho em direção ao futuro. Frederico Sotero Toledo, no livro Outros Caminhos, acrescenta que o resgate do passado, da memória coletiva, das tradições e valores cultivados pelo homem nos permite saber o que somos e reconhecer de onde viemos. E é corrente entre os índios peruanos que um povo que não sabe de onde veio jamais saberá para onde ir.

Tentamos trilhar caminhos semelhantes aos indicados por estes mestres na série de textos sobre a Colônia Agrícola da Constança. Hoje buscamos algumas raízes do sobrenome GOTTARDO e as razões dos distanciamentos entre parentes.

Inicialmente devemos dizer que o nome Gottardo, segundo Ciro Mioranza no seu Dicionário dos Sobrenomes Italianos, é de origem germânica e significa “forte ou valoroso, com o auxílio de Deus”. Aparece como nome de um Santo, San Gottardo, no século X, na Alemanha. E segundo consta, São Gotardo foi canonizado em 1131 e é venerado na Baviera, Suíça e norte da Itália.

O sobrenome é de alta incidência no Veneto, especialmente em Padova e Venezia. No cemitério Noventa Padovana, a poucos quilômetros da cidade de Padova, são encontrados mausoléus da família. Nas pequenas cidades às margens da rodovia que liga Padova a Venezia, localizamos diversos grupos de Gottardo. Numa delas, Vigonza, vivia a família de Antonio Gottardo antes de passar ao Brasil pela primeira vez, em 1888.

Quanto ao distanciamento entre parentes dos imigrantes, é de se esclarecer que não foram poucas as vezes em que nos deparamos com histórias de membros de uma mesma família que se separaram por longos meses porque o pai foi trabalhar numa colina ao norte ou num vinhedo ao sul de sua comune, na Itália.

No caso da família Gottardo, no início das pesquisas não conseguíamos compreender a separação de pais e filhos e o distanciamento existente entre alguns parentes aqui no Brasil. Com o correr das pesquisas observamos que o fato se repetia com certa freqüência em outras famílias e que existia uma razão determinante. Esta razão era o costume dos pequenos lavradores do Veneto de partirem para trabalhar em outras regiões e até mesmo fora do país, devido à falta de emprego numa Itália que se adaptava à nova ordem econômica e obrigava seus filhos a buscar trabalho nas empresas agrícolas que surgiam.

Foi este o caso de Antonio Gottardo que, após o falecimento de sua esposa, Teresa Luigia Guerra, em abril de 1886, com dificuldade para encontrar o sustento dos sete filhos que dele dependiam e que não podiam ficar sozinhos durante os meses que precisava se ausentar, decidiu cruzar o Atlântico em 1888. Muito provavelmente, a exemplo do que ocorreu com imensa leva de outros imigrantes italianos, pensando em trabalhar por algum tempo no Brasil para depois retornar à terra natal, como fizera em anos anteriores na Itália.

Com Antonio Gottardo viajaram outras famílias que também seriam contratadas por fazendeiros de Leopoldina e dois grupos que, embora não tenham vindo para a nossa cidade, eram seus aparentados e acabaram por permanecer isolados pela dificuldade de comunicação daquela época. O primeiro deles, capitaneado por Luigi Guerra foi para São João Nepomuceno. O outro, chefiado por Lucia Gottardo, ficou em Juiz de Fora. O mesmo deve ter ocorrido com os familiares que viviam em outros lugares no final do século XX, como um grupo que se instalou em São João del Rei e outro que optou pelo solo capixaba e não mais procuraram os parentes que se fixaram em Leopoldina.

Daí considerarmos de grande valor a iniciativa do Arquivo Histórico do Espírito Santo, que não facilita a consulta a seus documentos, à distância, como incentiva o resgate das ligações familiares dos oriundi. Uma iniciativa que poderia ter seguimento em Leopoldina, através de um projeto de resgate da memória dos italianos com vistas às comemorações do Centenário da Colônia da Constança.  

 

VAMOS COMEMORAR O CENTENÁRIO DA COLÔNIA AGRÍCOLA DA CONSTANÇA?

ABRACE ESTA IDÉIA!

Luja Machado e Nilza Cantoni

 

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