100 anos da Colônia Agrícola da Constança

SEMINÁRIO SOBRE IMIGRAÇÃO ITALIANA

Coluna publicada n'O Leopoldinense, 15 dezembro 2006

 

 Com a devida permissão do Editor, vamos trazer para este espaço uma série de textos sobre a Colônia Agrícola Constança e a imigração italiana em Leopoldina.

Antes, porém, queremos fazer algumas colocações que julgamos importantes para o entendimento do que será dito e para a compreensão dos objetivos que buscamos com este trabalho.

Começamos por deixar claro que o nosso único e exclusivo objetivo é criar o interesse e as condições favoráveis à realização de uma “sonhada” comemoração do CENTENÁRIO da Colônia. Qualquer um que conheça a história da imigração italiana, motivo inclusive de algumas novelas e filmes da TV, por ela se encantará com toda a certeza. E nós não apenas conhecemos. Nós crescemos vivenciando capítulos desta história e aprendendo a respeitar essa gente que víamos tirando da terra o sustento de suas famílias. Crescemos conhecendo e convivendo com alguns imigrantes e com muitos dos seus filhos e netos, pelos caminhos da Boa Sorte e pelas ruas de Leopoldina. E foi o respeito e o apreço por estes italianos e pela história da Colônia que nos levou ao interesse pelo estudo.

Por via de conseqüência, fomos convidados e com grande honra estivemos em Barbacena, entre os dias 20 e 22 de outubro, participando como palestrantes do II Seminário sobre Imigração Italiana em Minas Gerais, onde falamos sobre “A Colônia Agrícola Constança e a Origem de Algumas Famílias Italianas de Leopoldina”.

Ali dissemos, dentre outras coisas, ser evidente que a produção das lavouras, pomares, terreiros, moinhos, engenhos de cana e olarias da Colônia foi importante para o progresso da cidade. Como é evidente, também, que esta produção fez movimentar muita riqueza pelas estradas de chão batido da Colônia e pelos trilhos da E. F. Leopoldina. Ressaltamos, ainda, e com muita ênfase, nossa crença de que a grande contribuição da Colônia e dos imigrantes não está somente no aspecto econômico. Está, talvez muito mais vivo na mistura de raças que nos proporcionou e nos exemplos de trabalho e dedicação deixados por aqueles imigrantes. Trabalho, inclusive, que nos permitiu sem grandes traumas, por exemplo, fechar o ciclo do coronelismo e iniciar o de um desenvolvimento mais igualitário, onde a riqueza deixou de estar apenas nas mãos de uns poucos e abastados fazendeiros para se espalhar pelos diversos sobrenomes italianos que hoje se destacam no comércio, na indústria, na prestação de serviços, na agro-pecuária e nas demais atividades produtivas desta nossa Leopoldina.

Ao participarmos daquele Seminário avivou-se em nós, com mais força, a necessidade de se fazer algo para não deixar cair no esquecimento a história de sua gente. E é isto o que fazemos. Durante o evento pudemos perceber que existe um movimento intenso pelo recuperação das informações sobre a vida dos imigrantes italianos. Leopoldina, como sede de uma das grandes colônias de Minas Gerais, não pode ficar de fora.

Vale lembrar, para finalizar, que o Seminário foi promovido pela Agência Consular Italiana, pela Associação Ponte Entre Culturas de Minas Gerais e pelo Comitê da Imigração Italiana em Minas Gerais, Tocantins e Goiás, reunindo historiadores e pesquisadores de Minas e da Itália e contando com o patrocínio e apoio, dentre outros, da FIAT, da Fundação Torino, da UNIPAC e de algumas prefeituras. Um número significativo de entidades com interesse em iniciativas que busquem resgatar a memória deste povo que um dia deixou sua terra natal, a Itália, e veiofazer a América”. Ficamos a imaginar a possibilidade de algumas destas entidades direcionarem parte de seus interesses para os imigrantes que vieram “fazer a América” trabalhando as terras leopoldinenses.

José Luiz Machado Rodrigues

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