Capela de Santo Antônio, símbolo da Colônia Agrícola da Constança

100 anos da Colônia Agrícola da Constança

CAMINHO DOS IMIGRANTES

Coluna publicada n'O Leopoldinense, 15 de maio de 2008

 

No livro Nossas Ruas Nossa Gente, página 158, registramos que o bairro da Onça herdou o nome da antiga fazenda ali existente.

Esta fazenda pertencia, em 1856, a Manoel Lopes da Rocha e José Lopes da Rocha, irmãos que foram casados com filhas do formador da propriedade, o pioneiro Bernardino José Machado.

Nessa época os seus vizinhos eram, pela ordem citada nos registros, Maria do Carmo Monteiro de Barros (fazenda Desengano), Joaquim Antônio de Almeida Gama (fazenda Floresta), Antônio José Monteiro de Barros (fazenda Paraíso), Manoel Rodrigues da Silva (fazenda Pury), José Augusto Monteiro de Barros (fazenda Constança), Manoel Joaquim Thebas, Carlos de Assis Pereira, João Ribeiro, Manoel Antônio de Almeida (fazenda Feijão Cru), Antônio José Pinto de Almeida e Felisberto da Silva Gonçalves.

Sobre o bairro, sabe-se que em 1882 o empresário Francisco Gonçalves da Rocha Andrade ficou responsável pelo preparo de raias para a corrida de cavalos que nele seria realizada. E notícia do jornal O Leopoldinense ressalta, inclusive, que seriam plantadas palmeiras nas margens dessas raias. Ainda n’O Leopoldinense de 25.05.1882 encontramos a notícia de que no dia 21 de maio daquele ano “no arrabalde da Onça, ocorreu o ensaio das corridas de cavalo que se efetuarão no próximo dia 25 de junho”. E é do mesmo jornal a informação de que José Jeronymo de Mesquita (filho do Barão de Mesquita, segundo proprietário da fazenda Paraíso), Otávio Otoni e o Capitão Santa Maria foram alguns dos promotores daquelas corridas.

O bairro da Onça compreende as terras que ficam nas margens da rodovia BR-116, a partir do posto fiscal da Polícia Rodoviária Federal até as terras da antiga fazenda Pury, logo após a entrada para o bairro da Boa Sorte. Do lado direito da BR 116, no sentido de quem sai de Leopoldina em direção ao distrito de Tebas, faz divisa com o bairro rural Boa Sorte, onde estava localizada a sede da Colônia Agrícola da Constança, objeto de nossos estudos sobre a imigração italiana para Leopoldina,.

Nunca é demais lembrar que a Colônia Agrícola da Constança foi formada em 1910 em terras próximas ao local onde existiu, no final do século XIX, a Colônia Municipal Santo Antônio. Compunha-se de 73 lotes, uma boa parte deles vendida a imigrantes que desenvolveram uma produção agrícola intensa e muito contribuíram para o desenvolvimento econômico da cidade de Leopoldina. Nela trabalharam e viveram mais de 800 italianos, a maioria deles ativos participantes da construção e entusiasmados freqüentadores das festas realizadas na Igreja de Santo Antonio.

Ao falarmos sobre a Igrejinha da Onça, não podemos deixar de registrar que, pela Lei Municipal nº 936, de 17.10.1973, a escola singular rural municipal ali existente recebeu a denominação de “Carlos de Almeida” em homenagem a este ruralista que, em conjunto com os imigrantes que então habitavam a Colônia, foi um dos que lutaram pela construção da Igreja em terreno por ele doado para tal mister.

Mas importa lembrar, também, que o trânsito da produção da Colônia trazida para a cidade era realizado por antiga via que teve alguns de seus trechos aproveitados no traçado da BR 116, a Rio-Bahia, construída no final dos anos de 1930.

Neste percurso, numa remodelação da rodovia em meados do século XX, alguns trechos permaneceram com menor utilização. Dentre eles está a ligação entre a Igreja de Santo Antônio e o ponto em que a estrada da Boa Sorte encontra-se com a BR 116 e que hoje consideramos uma via importante. Não só por ser usada por pedestres, ciclistas e cavaleiros que, procedentes da Boa Sorte dirigem-se à Igreja de Santo Antonio do Onça, ao ponto final do ônibus urbano em posto próximo ou, buscam a rodovia no ponto fronteiro àquela Igreja onde os riscos do trânsito são significativamente menores. Mas porque historicamente foi sempre o CAMINHO DOS IMIGRANTES que, neste quase um século, habitaram a Colônia Agrícola da Constança, esta gente ordeira e trabalhadora que tanto fez pela nossa Leopoldina.

E encerramos a coluna de hoje sugerindo respeitosamente à Câmara de Vereadores que transforme em Lei uma justa homenagem aos imigrantes, num projeto preferencialmente assinado por todos os Vereadores, concedendo o nome de CAMINHO DOS IMIGRANTES a esta via ainda sem denominação e, solicitando ao Prefeito Municipal as providências necessárias à revitalização do local.

Luja Machado e Nilza Cantoni

 

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