Nesta
nova
série
de colunas
sobre
os
imigrantes
italianos
que
viveram
em
Leopoldina, pretendemos
abordar
alguns
aspectos
ressaltados
por
diversos
de
nossos
entrevistados, ao
longo
das
pesquisas
que
fizemos
para
recuperar
a
história
da
Colônia
Agrícola
da Constança. Começaremos
pelos
hábitos
alimentares.
Quando
se
pensa
em
alimentação
dos italianos, é
comum
lembrar
de
mesa
farta,
suculentos
pratos
de
massas
regados a
molhos
variados e
canecos
com
os
melhores
vinhos.
A
culinária
italiana à
disposição
de
todos!
Mas
os
depoimentos
colhidos de
pessoas
mais
velhas,
descendentes
dos
imigrantes
que
se fixaram na
Colônia
Agrícola
da Constança e
nos
demais
roçados da
nossa
Leopoldina, apontam
para
um
quadro
um
pouco
diverso.
Por
aqui,
ao
que
apuramos,
pelo
menos
nas
gerações
mais
antigas o
vinho
e o
macarrão
não
freqüentavam as
mesas
diárias,
na
maioria
das
vezes
montadas na
própria
cozinha
e
geralmente
rodeadas de
bancos
de
madeira.
Tampouco
havia
macarrão
nos
caldeirões
levados
com
o
trabalhador
para
o
local
do
trabalho.
Vinhos
e
massas
eram
comuns
apenas
quando
o
almoço
era
servido na
mesa
da
sala
em
dias
de
visitas,
nos
“jantarados” dos
finais
de
semana
e nas comemorações de
algum
acontecimento
significativo.
E
são
compreensíveis as
razões
para
esta
prática.
O
clima
quente
de Leopoldina
não
se prestava ao
plantio
do
trigo
e da
uva.
Faltavam os
mais
elementares
recursos
para
o
seu
cultivo
e
preparo
nas
terras
montanhosas da
nossa
região.
Por
outro
lado,
adquirir
os
produtos
deles derivados,
nem
sempre
estava ao
alcance
daqueles
colonos.
Não
só
pelo
preço
mas,
também,
pela
dificuldade
em
encontrar
no
armazém
e
até
de se
deslocar
da
roça
para
a
cidade
e
fazer
a
compra.
Assim,
tornou-se
muito
mais
fácil
ao
colono
imigrante
adaptar-se à
realidade
dos
que
por
aqui
viviam e
aderir
aos
costumes
vigentes.
É
bem
verdade
que
existiu,
ainda,
um
outro
fator
importante
e
que
também
precisa
ser
considerado.
Alguns
depoimentos
nos
dão
conta
de
que
muitos
imigrantes
já
haviam substituído a
massa
de
suas
mesas
ainda
na Itália,
onde
o
trigo
escasseava e atingia
altas
cotações.
Com
isto
o
talharim,
os
rissoles
e
pães,
ainda
na Itália
já
haviam perdido a
concorrência
para
o
angu
(de
sal
ou
doce),
a raspa, os
bolos,
as
broas,
as cavacas (bolachas
endurecidas), o cubu, o
milho
cozido
ou
assado
e
demais
derivados desse
grão
de
cultivo
e
manejo
mais
fácil
e de
mercado
bem
mais
simples.
Decorre daí o
hábito
de
substituir
o
pão
e
outros
alimentos
por
fubá
cozido
em
água
e
sal.
Seja no
caldeirão
do
almoço
ou,
depois
de
frio,
cortado
em
pedaços
para
acompanhar
o
jantar,
o
café
da
manhã
ou
a
merenda
vespertina,
o
angu
com
melado
de
cana
era
também
muito
apreciado.
Substituindo-se o
sal
por
açúcar
mascavo
(açúcar
preto),
obtinha-se
um
angu
doce
que
era
despejado
em
porções
na
chapa
do
fogão
à
lenha
e consumido
com
diferentes
acompanhamentos, dependendo do
tempo
em
que
permanecia assando.
Ainda
mole,
num
prato
de
ágata,
com
leite;
mais
consistente, transformava-se
em
bolachas
muito
apreciadas; e,
mais
endurecido,
tomava a
forma
conhecida
como
“cavaca”,
que
substituía o
pão.
Ao
ser
retirado da
panela,
o
angu
deixava uma
grossa
camada
que
se denominava raspa e
que
era
consumida
com
leite
nas
refeições
intermediárias. Fatiada e
um
pouco
mais
tostada, esta raspa
era
consumida ao
estilo
de
petiscos.
Se salpicada
com
açúcar,
era
saboreada
como
biscoitos.
Mas
não
há
como
falar
de
alimentação
de italianos
sem
um
comentário
sobre
as
massas.
Nos
valemos,
então,
do
depoimento
dos entrevistados.
Um
deles contou
que
sua
mãe
“preparava a
massa
de
talharim,
esticava-a na
mesa
da
cozinha
e cortava as
fitas
com
uma
faca,
cozinhando-as
em
água
com
sal
e preparando o
molho
à
parte.
Quando
a
massa
cozida
era
jogada
no
molho,
o
cheiro
forte
atraía a
todos,
principalmente
as
crianças”.
Outro
informante lembrou
que
a
massa
era
colocada a
secar
numa
peneira
forrada
com
um
pano
e
mais
tarde
era
enrolada
como
um
rocambole
e
cortada
em
fatias
para
serem cozidas
em
água
quente
temperada
com
gordura
de
porco.
Até
a próxima coluna!
Luja Machado e Nilza Cantoni
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