Capela de Santo Antônio, símbolo da Colônia Agrícola da Constança

100 anos da Colônia Agrícola da Constança

PARDAL: UM SOBRENOME PORTUGUÊS

Coluna publicada n'O Leopoldinense, 1 de dezembro de 2008

 

Em dezembro de 1999, num texto publicado em outro jornal de Leopoldina, mencionamos os colonos Giovanni Batista Pradal e Manoel Gomes Pardal e dissemos que nossas pesquisas, até aquele momento, indicavam a possibilidade de parentesco entre eles. Ao longo de novas buscas acabamos por descobrir que tal parentesco é bastante improvável.

Lembramos que, para a conclusão a que chegamos naquela época, nós nos baseamos em documentação encontrada em Leopoldina. Agora abordamos o tema a partir de novas fontes, que nos levaram a descobrir que o sobrenome PARDAL é de origem portuguesa e que a família PRADAL procedia da Itália.

Hoje sabemos que o português Manoel Gomes Pardal, que se instalou na Colônia Agrícola da Constança em novembro de 1911, era filho de José Gomes Pardal e de Mariana Tereza de Jesus. Em Leopoldina ele se casou com Maria Ilidia de Rezende, no dia 16 de julho de 1892. Ela, por sua vez, era filha de José de Rezende Barbosa e de Mariana Rita de Jesus, família que residia em Leopoldina, pelo menos, desde 1858.

Considerando a sua data de casamento, calcula-se que a chegada de Manoel Gomes Pardal ao Brasil teria ocorrido cerca de 20 anos antes da formação da Colônia Agrícola da Constança. Entretanto, curiosamente o seu nome não foi encontrado entre os colonos contratados por fazendeiros de Leopoldina.

Manoel e Maria Ilidia tiveram, pelo menos, os seguintes filhos: Avelino (1899), Rosa (1902), Izabel (1906), Mariana (1908), Francisco Xavier e Almerinda (1910), e Ignacia (1919).

Uma outra curiosidade se liga ao nome deste Manoel. No Relatório da Colônia Constança consta que Manoel Gomes Pardal tomou posse dos lotes de números 2 e 63 no dia 25 de novembro de 1911. Acreditamos, entretanto, que o lote 63 tenha sido desmembrado de um dos lotes originais. E esta hipótese tornou-se mais forte quando encontramos referências a um outro lote, de número 64, como de propriedade do mesmo Manoel. O fato de não se encontrarem os registros de compra e venda nem tampouco a data de ocupação deste último levou-nos a suspeitar que possa ter ocorrido uma eventual alteração na numeração dos lotes em alguns registros.

Um outro aspecto interessante e que deve ser analisado é o fato de o lote de número 2 ter sido inscrito, no período de julho de 1910 a novembro de 1911,como propriedade de Manoel José dos Passos, personagem que não aparece nos demais documentos da época.

Conforme já mencionamos em outras colunas, a grande dificuldade para o estudo dos imigrantes portugueses é a homonímia. Mas no caso em estudo, quer nos parecer que existe um outro problema, relativo à forma dos nomes desses imigrantes que, eventualmente, aparecem com variações conforme as diversas fontes consultadas. Manoel Gomes Pardal, por exemplo, algumas vezes surge com o último sobrenome grafado como Pradal, levando-nos a confundi-lo com os italianos. Pelo mesmo motivo, Manoel José dos Passos pode ser um dos inúmeros portugueses que usavam os mesmos dois primeiros nomes.

Sobre este aspecto, aliás, precisamos considerar uma característica da imigração de portugueses que pode ter gerado multiplicidade de registros para um mesmo personagem. Segundo a historiadora paulista Ilana Peliciari Rocha, “os portugueses eram os que mais faziam viagens de ida e volta. E também os que mais viajavam sós. Eles podiam viajar sozinhos para ir até Portugal resolver problemas de família, questões de herança ou de saúde”.

Ao reingressar no Brasil no retorno dessas viagens, o imigrante passava pela Hospedaria e era novamente inscrito em seus registros. Na grande maioria das vezes, o nome lançado no livro da Hospedaria não era conferido com qualquer documento de identidade do viajante. Assim, é fácil supor que o mesmo colono poderia ter seu nome apresentado com diversos formatos.

Mas por hoje vamos ficar por aqui. No próximo texto  trataremos da família italiana de sobrenome Pradal e outras curiosidades surgirão. [Acréscimos]

Luja Machado e Nilza Cantoni

 

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