Na coluna
anterior
falamos dos
alimentos
derivados do
milho.
Agora
vamos
abordar
o
preparo
de
alguns
produtos
agrícolas.
Na
Colônia
e nas
pequenas
propriedades
da
região,
as
espigas
de
milho
eram guardadas no
paiol,
um
cômodo
geralmente
coberto
com
sapé
ou
telha
canal,
com
paredes
e
assoalho
de
bambu,
pau
roliço
ou
ripa
de
madeira
lavrada,
com
frestas
que
facilitavam a ventilação e evitava a
proliferação
de
caruncho.
De
modo
geral,
era
construído
junto
à
casa
do
colono
e,
em
alguns
casos,
debaixo
dele ficava o
chiqueiro
onde
se engordava o
porco.
Era
no
paiol
que
se retirava a
palha
da
espiga
e debulhava-se (retirava o
caroço
do
sabugo)
o
milho.
Os
grãos
eram soprados,
selecionados
em
peneiras
de
taquara
e ensacados
para
serem
levados
para
moagem.
Alguns
colonos
utilizavam o
pilão
para
socar
e
transformar
o
milho
em
canjiquinha. O
mais
comum,
porém,
era
a
utilização
de
moinhos
de
pedra
movidos a
água,
que
existiam
pela
redondeza,
onde
o
colono
entregava o
milho
e recebia o
fubá,
descontado de
um
percentual
do
peso
que
era
deixado
como
pagamento
pelo
beneficiamento.
A
palha
do
milho
também
era
aproveitada. Uma
parte
era
deixada de
molho
n’água
pura
por
algum
tempo
e
depois,
colocada
para
cozinhar
com
banha
de
boi
e
soda
cáustica,
em
tacho
apropriado,
até
formar
uma
pasta
homogênea.
Esta
pasta,
despejada
em
superfície
lisa,
depois
de
fria
era
cortada
em
barras,
dando
origem
ao
sabão
utilizado na
limpeza
em
geral.
Rasgada
em
tiras,
a
mesma
palha
servia
como
enchimento
dos
colchões
para
os
catres
(camas)
da
família
e dos
travesseiros,
conhecidos
pelos
imigrantes
por
“gancilão”,
talvez
por
uma
forma
dialetal
de “guanciale”,
ou
seja,
almofada.
Limpa
e trabalhada
pelo
canivete
ou
faca,
servia
como
suporte
para
o
fumo
de
rolo
ou
desfiado, na
confecção
dos
cigarros.
E se nenhuma dessas
utilizações
a consumia,
era
então
jogada
para
o
gado
que
dela se deliciava,
principalmente
na
época
da
seca.
O sabugo, outro subproduto do milho, além de
atender aos meninos na confecção de brinquedos como juntas-de-bois para os seus
carrinhos, tinha como utilização geral facilitar o acender do fogão à lenha, por
ser de combustão fácil e estar quase sempre guardado ao abrigo da umidade.
Ao
lado
do
milho,
outros
produtos
faziam
parte
dos “roçados” dos
colonos.
Um
deles, o
tomate,
era
ingrediente
que
não
podia
faltar
no
preparo
final
da
massa.
E
para
que
pudesse
ser
utilizado o
ano
todo,
o
comum
era
guardá-lo desidratado. Colhido
quando
começava a
amadurecer,
era
partido
ao
meio
e colocado ao
sol
para
secar.
Posteriormente
era
guardado
em
potes.
No
momento
de
sua
utilização
era
imerso
em
água
morna
para
re-hidratação.
Nossos
entrevistados mencionaram,
também,
o
café
que
estava
sempre
no
canto
do
fogão
ou
levado
para
a
roça
em
garrafas
de
vidro
arrolhadas
com
sabugo
de
milho.
Seu
preparo
era
todo
doméstico.
Colhido e
seco,
o
grão
era
levado
ao
pilão
para
a
retirada
da
casca.
Depois
de peneirado
para
limpar
as
impurezas,
era
torrado
em
panelas
de
ferro.
Posteriormente,
os
grãos
torrados eram
passados
em
peneiras
de
taquara
que
os transformava
em
pó.
Chamou-nos a
atenção
nos
depoimentos
o
fato
de
não
ter
sido mencionada a
utilização
de
moinhos
de
café,
geralmente
encontrados
em
boa
parte
das
casas
da
zona
rural.
Mas
acreditamos
que
a continuidade da
pesquisa
nos
levará ao esclarecimento desta
curiosidade.
Para
concluir
nossa
abordagem
sobre
a
alimentação
dos italianos, lembramos
que
as
principais
refeições
-
almoço
e
jantar,
eram compostas do tradicional
arroz
com
feijão,
uma
ou
outra
verdura
da
horta,
batata
doce,
mandioca,
ovos
e alguma
carne
de
porco,
boi
ou
caça,
geralmente
conservada
em
grandes
latas
ou
panelas
cheias
de
gordura
(banha)
de
porco.
Algumas
conservas
à
base
de
frutas
faziam
parte
da
dispensa
da
casa.
Mas
uma das
faltas
mais
sentidas
pelos
imigrantes,
segundo
depoimentos,
era
a
azeitona
que
por
aqui
não
se plantava e
que
devia
fazer
parte
dos
molhos
das
massas
ou
ser
consumida
pura.
Por
hoje,
ficamos
por
aqui.
Luja Machado e Nilza Cantoni
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