Vamos
abordar,
nesta coluna,
as
atividades
laborativas dos
colonos
e
demais
imigrantes
que
se instalaram na
Colônia
Agrícola
da Constança. Sabemos
que
a
grande
maioria
trabalhou,
inicialmente,
para
o
fazendeiro
que
os contratou e
só
mais
tarde
tornaram-se
proprietários.
Antes
de abordarmos as
funções,
recordemos
que
a
Colônia
tinha
como
padrão
médio
de
tamanho
dos
seus
lotes,
uma
gleba
de aproximadamente
cinco
alqueires
ou,
25
hectares
de
terra,
que
não
passava de uma
pequena
propriedade
rural,
considerando os
padrões
da
época.
Necessário,
também,
lembrar
que
poucas
máquinas
estavam ao
alcance
da
grande
maioria
dos
proprietários
destas
terras.
Não
só
pelo
fato
de
ser
a mecanização da
lavoura
quase
que
totalmente
desconhecida
na
região
como,
principalmente,
pela
impossibilidade
financeira
de
investir
na
aquisição
de
implementos
agrícolas.
Alguns
colonos
contavam
com
carro
de
bois,
carroça,
arado
e
grade
rústica,
puxados
por
animais;
também
eram
poucos
os
colonos
que
utilizavam plantadeiras de
grãos
e debulhadores de
milho,
acionados
pela
mão
do
homem;
e os
moinhos
de
fubá
e
monjolos,
geralmente
movidos a
água,
não
passavam de
dois
ou
três
em
toda
a
Colônia.
Assim,
o
mais
comum
nos
lotes
da
Colônia
Agrícola
da Constança, no
que
se referia ao
trato
da
terra
para
o
cultivo
e
manutenção
das
lavouras
e
hortas,
era
a
utilização
de
machados,
foices,
enxadas,
“cacumbus” e enxadões, manuseados
indistintamente
por
toda
a
mão
de
obra
disponível
na
família
(pai,
mãe,
filhos
e
demais
agregados).
Aqui
merece
ser
destacado
o
que
poderíamos
classificar
como
sendo uma
natural
e
perfeita
divisão
de
tarefas,
comum
na
maioria
dos
lotes.
Na
Colônia,
via
de
regra,
eram
reservados
aos
homens
principalmente
os
trabalhos
mais
pesados e os
mais
distantes
da
casa,
tais
como:
a
derrubada
de
árvores
para
o
aproveitamento
da
madeira,
o
destocar
as
áreas
a serem cultivadas e o
preparo
dos
brejos
e alagados
para
o
plantio
do
arroz.
Isto,
sem
prejuízo
de
outros
trabalhos
menos
árduos,
que
eram realizados
em
parceria
com
os
demais
familiares.
Aos
homens
também
estavam
reservados
os
trabalhos
de
confecção
de
móveis
e
utensílios
e
até
mesmo
a
construção
de
casas,
suas
e de
vizinhos,
além
das
demais
acomodações
que
iam se tornando necessárias
com
o
desenvolvimento
da
propriedade.
Neste
aspecto
vale
ressaltar
o
surgimento,
dentre
os
colonos
da Constança, de
excelentes
profissionais
marceneiros,
carpinteiros,
“carapinas”, serradores (hábeis no manejo do golpeão, ou “gurpião”),
pedreiros
e
mestres
de
obras
que
emprestaram os
seus
conhecimentos
e
técnicas
para
muitos
outros
vizinhos
e
parentes.
Um
de
nossos
entrevistados informou
que
seu
avô
era
um
bom
artesão
em
latoaria,
fazendo
tachas
e
demais
utensílios
de
uso
cotidiano.
Mas
se cabia aos
homens
todas essas
tarefas,
às
mulheres
competiam os
muitos
afazeres
da
casa
e do
terreiro,
além
de
cuidar
dos
filhos.
Dos
depoimentos
colhidos resumiríamos
que
as
mulheres
que
viveram na
Colônia
Agrícola
da Constança bordavam
pouco,
costuravam o
necessário
para
atender
a
toda
a
família
e cozinhavam
muito
e,
via
de
regra,
bem.
Além
da
cozinha
e do
cuidado
com
a
casa,
elas
eram
ainda
responsáveis
pela
horta,
jardim,
galinheiro,
chiqueiro,
limpeza
do
terreiro
(em
geral
com
enormes
vassouras
de
ramos
ou
de
galhadas
de
bambu)
e,
em
muitos
casos,
até
pelo
retiro.
Isto
sem
falar
nos
muitos
casos
de
mulheres
que
dividiam,
em
igualdade
de
condições
com
os
seus
maridos
e
filhos,
todas as
tarefas
que
surgiam na
propriedade.
Segundo
informaram
alguns
descendentes,
os
colonos
adotaram,
ainda
nas
fazendas
em
que
trabalharam
antes
de adquirirem
um
lote
na
colônia,
o
sistema
de
mutirão.
Assim
é
que
são
freqüentes
as
referências
ao
trabalho
conjunto
quando
necessário
consertar,
por
exemplo,
a
casa
de
morada.
Aliás,
soubemos
que
alguns
imigrantes
trabalhavam
para
a
Colônia,
bem
antes
da
venda
dos
lotes.
Sem
definirem os
motivos
que
os fizeram
deixar
as
fazendas,
alguns
de
nossos
entrevistados disseram
que
seus
pais
e avós mudaram-se
para
uma “Colônia
Santo
Antônio”
entre
2 e 5
anos
depois
de chegarem a Leopoldina.
Mas
isto
já
é
tema
para
um
outro
texto.
Luja Machado e Nilza Cantoni
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