100 anos da Colônia Agrícola da Constança

ATIVIDADES LABORATIVAS

Coluna Publicada n'O Leopoldinense, 28 fevereiro 2007

 

Vamos abordar, nesta coluna, as atividades laborativas dos colonos e demais imigrantes que se instalaram na Colônia Agrícola da Constança. Sabemos que a grande maioria trabalhou, inicialmente, para o fazendeiro que os contratou e mais tarde tornaram-se proprietários.

Antes de abordarmos as funções, recordemos que a Colônia tinha como padrão médio de tamanho dos seus lotes, uma gleba de aproximadamente cinco alqueires ou, 25 hectares de terra, que não passava de uma pequena propriedade rural, considerando os padrões da época.

Necessário, também, lembrar que poucas máquinas estavam ao alcance da grande maioria dos proprietários destas terras. Não pelo fato de ser a mecanização da lavoura quase que totalmente desconhecida na região como, principalmente, pela impossibilidade financeira de investir na aquisição de implementos agrícolas.

Alguns colonos contavam com carro de bois, carroça, arado e grade rústica, puxados por animais; também eram poucos os colonos que utilizavam plantadeiras de grãos e debulhadores de milho, acionados pela mão do homem; e os moinhos de fubá e monjolos, geralmente movidos a água, não passavam de dois ou três em toda a Colônia.

Assim, o mais comum nos lotes da Colônia Agrícola da Constança, no que se referia ao trato da terra para o cultivo e manutenção das lavouras e hortas, era a utilização de machados, foices, enxadas, “cacumbus” e enxadões, manuseados indistintamente por toda a mão de obra disponível na família (pai, mãe, filhos e demais agregados).

Aqui merece ser destacado o que poderíamos classificar como sendo uma natural e perfeita divisão de tarefas, comum na maioria dos lotes.  

Na Colônia, via de regra, eram reservados aos homens principalmente os trabalhos mais pesados e os mais distantes da casa, tais como: a derrubada de árvores para o aproveitamento da madeira, o destocar as áreas a serem cultivadas e o preparo dos brejos e alagados para o plantio do arroz. Isto, sem prejuízo de outros trabalhos menos árduos, que eram realizados em parceria com os demais familiares. Aos homens também estavam reservados os trabalhos de confecção de móveis e utensílios e até mesmo a construção de casas, suas e de vizinhos, além das demais acomodações que iam se tornando necessárias com o desenvolvimento da propriedade.

Neste aspecto vale ressaltar o surgimento, dentre os colonos da Constança, de excelentes profissionais marceneiros, carpinteiros, “carapinas”, serradores (hábeis no manejo do golpeão, ou “gurpião”), pedreiros e mestres de obras que emprestaram os seus conhecimentos e técnicas para muitos outros vizinhos e parentes. Um de nossos entrevistados informou que seu avô era um bom artesão em latoaria, fazendo tachas e demais utensílios de uso cotidiano.

Mas se cabia aos homens todas essas tarefas, às mulheres competiam os muitos afazeres da casa e do terreiro, além de cuidar dos filhos. Dos depoimentos colhidos resumiríamos que as mulheres que viveram na Colônia Agrícola da Constança bordavam pouco, costuravam o necessário para atender a toda a família e cozinhavam muito e, via de regra, bem. Além da cozinha e do cuidado com a casa, elas eram ainda responsáveis pela horta, jardim, galinheiro, chiqueiro, limpeza do terreiro (em geral com enormes vassouras de ramos ou de galhadas de bambu) e, em muitos casos, até pelo retiro. Isto sem falar nos muitos casos de mulheres que dividiam, em igualdade de condições com os seus maridos e filhos, todas as tarefas que surgiam na propriedade.

Segundo informaram alguns descendentes, os colonos adotaram, ainda nas fazendas em que trabalharam antes de adquirirem um lote na colônia, o sistema de mutirão. Assim é que são freqüentes as referências ao trabalho conjunto quando necessário consertar, por exemplo, a casa de morada. Aliás, soubemos que alguns imigrantes trabalhavam para a Colônia, bem antes da venda dos lotes. Sem definirem os motivos que os fizeram deixar as fazendas, alguns de nossos entrevistados disseram que seus pais e avós mudaram-se para uma “Colônia Santo Antônio” entre 2 e 5 anos depois de chegarem a Leopoldina. Mas isto é tema para um outro texto.

 

Luja Machado e Nilza Cantoni

 

HOME

Colunas Anteriores

ENTRE EM CONTATO

Creative Commons License
Este trabalho está sujeito a uma licença de uso: Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 License.