Capela de Santo Antônio, símbolo da Colônia Agrícola da Constança

100 anos da Colônia Agrícola da Constança

A ORIGEM DA FAZENDA CONSTANÇA - final

Coluna publicada n'O Leopoldinense, 16 de outubro de 2009

 

Dando continuidade ao assunto da coluna anterior, hoje partimos do testamento de Antonio Francisco, datado de 12.04.1850, em Prados, cuja cópia nos foi gentilmente fornecida por Pedro Wilson Carrano de Albuquerque. Por este documento soubemos que a filha Maria Antonia recebeu as duas sesmarias e vendeu uma delas a Antonio José Monteiro de Barros. Bernardo José, por sua vez, realizou compras e trocas de terras com Feliciano Rodrigues Moreira e Manoel Gonçalves Valins, ampliando sua propriedade até a divisa com Manoel José Monteiro de Castro - Fazenda União, informações confirmadas no Registro de Terras de São Sebastião da Leopoldina, termo 12.

Analisando o inventário de Bernardo José, arquivado no Fórum de Leopoldina, maço 6, 1862, pode-se deduzir que, além da sesmaria cedida a Antonio José, outras terras foram vendidas, uma vez que do monte a partilhar constou apenas uma propriedade de cerca de 225 alqueires.

Não nos foi possível descobrir qual sesmaria de Bernardo foi vendida a Antonio José Monteiro de Barros. Descobrimos apenas que o comprador, com as duas sesmarias de aproximadamente 450 alqueires mineiros, formou as fazendas Constança, Saudade e Paraíso.

Em 1859, José Augusto Monteiro de Barros vendeu a Fazenda Constança a José Teixeira Lopes Guimarães. Posteriormente a propriedade passou às mãos do então Barão de Mesquita que provavelmente a revendeu, uma vez que na partilha de seus bens em 1888, somente a Fazenda Paraíso foi transferida para seu filho, futuro Barão de Bonfim.

Segundo a edição número 40 do jornal O Mediador, de 16.08.1896, nesta época a Fazenda Constança era um condomínio com diversos proprietários, entre eles Gustavo Augusto de Almeida Gama, provavelmente um dos herdeiros da vizinha Fazenda Floresta.

Importante destacar que a Fazenda Constança, no final dos oitocentos, encontrava-se na mesma situação de duas outras propriedades vizinhas, cujos formadores faleceram antes de 1875. Trata-se das fazendas Feijão Cru e Onça. Da primeira sabemos que foi dividida entre os herdeiros após o falecimento da matriarca Rita Esméria de Jesus a 20.01.1865, conforme inventário arquivado no Cartório do 2º Ofício de Notas de Leopoldina, MG, maço nº 40 e Pública Forma emitida pelo Tabelião Pacheco, do Registro de Imóveis do Rio Janeiro, a pedido do comendador Jerônimo José de Mesquita, pertencente à Coleção Kenneth Light, disponível no Arquivo Histórico do Museu Imperial, Petrópolis, tombo 2198/97.

Ressalte-se que a fazenda Feijão Cru é mencionada como divisa de uma situação da Fazenda da Onça, em venda realizada em 1886, objeto de escritura de venda pertencente à Coleção Kenneth Light, disponível no Arquivo Histórico do Museu Imperial, Petrópolis, tombo 2203/97. Por esse documento sabemos que uma das partes da Fazenda da Onça pertencia a Antonio Rodrigues Campos, conforme documento de venda para José Soares de Mesquita que, apesar do sobrenome, não pertencia à família de Jerônimo José de Mesquita, por ser citado no Formal de Partilha como um seu empregado.

A propósito, esta situação da Fazenda da Onça foi vendida por José Soares de Mesquita antes do falecimento de seu patrão, o já então Conde de Mesquita. De todo modo, o histórico da Fazenda Paraíso demonstra que a Fazenda da Onça também já estava bastante dividida e os herdeiros das duas antigas propriedades, a Feijão Cru e a Onça, venderam suas partes na herança a partir de 1875.

É possível que a antiga Colônia Municipal Santo Antonio, ocupada por imigrantes em Leopoldina a partir de 1888, tenha sido implantada em terras destas duas fazendas. Posteriormente, quando a Santo Antonio deu lugar à Colônia Agrícola da Constança, criada pelo governo do Estado em 1910, suas terras foram agregadas ao núcleo loteado e vendido aos colonos.

Luja Machado e Nilza Cantoni

 

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