Conforme
os
nossos
leitores
devem
ter
observado,
escolhemos a
Capela
da
Onça,
como
símbolo
da
nossa
coluna.
Hoje,
como
vamos
falar
do
lazer
dos
colonos,
iniciamos comentando
que
esta
nossa
escolha
baseou-se na
imagem
mais
comumente referida
por
nossos
entrevistados.
Além
da religiosidade propriamente
dita,
a
Capela
muito
representou na
vida
dos
imigrantes
que
se instalaram na
Colônia
Agrícola
da Constança.
Era
em
torno
dela
que
se realizavam
quase
todas as
festividades.
A
regra
na
Colônia
era
o
trabalho.
O
cantar
do
galo
já
encontrava a
maioria
dos
habitantes
no
batente
diário.
Ali,
em
praticamente
todos
os
lotes,
colonos
e
agregados
se dedicavam
com
afinco
às
tarefas,
em
casa,
no
terreiro
ou
nas
lavouras,
sem
se preocuparem
com
diversão.
Nos
poucos
momentos
dedicados ao
lazer,
segundo
os
depoimentos
colhidos, as
alternativas
não
eram muitas.
Em
linhas
gerais
poderíamos
afirmar
que
as
mulheres
se divertiam
principalmente
nas
festas
religiosas e nas
visitas
aos
parentes,
vizinhos
e
conterrâneos.
E
quando
falamos
em
festejos
religiosos
não
podemos
esquecer
a
geral
participação dos
colonos
nas
festas
promovidas na igrejinha da
Onça,
consagrada a
Santo
Antonio, construída
em
1915
pelos
colonos
e
demais
habitantes
das
terras
da
antiga
fazenda
da
Onça.
Principalmente
a
animada
festa
anual
dedicada ao
padroeiro
Santo
Antonio,
que
reunia
um
grande
número
de participantes
oriundos
das
propriedades
da
redondeza
e,
em
número
bastante
significativo,
pessoas
que
vinham da
sede
do
município.
Com
suas
barraquinhas a
servir
os
mais
variados
quitutes
e os disputados
leilões
de
prendas
oferecidas
pela
comunidade
e apregoadas
pelo
senhor
Carlos (Carrito) Almeida, a “Festa
da
Onça”,
como
ficou
conhecida,
atraía
gente
de todas as
idades.
A
confirmar
a
importância
desta
festa,
soubemos
que
famílias
residentes na
estrada
da Lajinha programavam
longamente
o
passeio.
Numa delas, contou-nos
um
descendente,
as moças preparavam-se
com
afinco,
costurando
novos
vestidos
ou
reformando
algum
mais
antigo,
sempre
com
a
intenção
de apresentar-se
condignamente.
No
dia
da
festa,
vinham
em
carro
de
boi
da
fazenda
até
a
cidade,
carregando
vestes
e
calçados
em
um
grande
embornal.
Depois
de
tomar
banho
e vestir-se
em
casa
de
algum
parente
ou
amigo,
punham-se a
caminhar,
descalças,
até
o
local
da
festa.
Nas
proximidades,
lavavam os
pés
e calçavam
seus
sapatos
que,
na
maioria
das
vezes,
causavam-lhes supliciantes
calosidades.
Divertidos,
também,
embora
bastante
raros,
eram os
bailes
e
reuniões
em
que
se comemoravam os
casamentos
de
pessoas
ligadas
à
Colônia.
Contou-nos
um
descendente
que
a
festa
do
casamento
de
sua
tia
foi promovida
pelos
padrinhos
da
noiva,
arranjando-se
um
grande
“salão
de arrasta-pé” no
terreiro
da
casa
dos
pais
da
noiva.
Após
a
cerimônia
religiosa,
os
convidados
foram caminhando
até
a
casa,
muitos
deles
com
os
sapatos
nas
mãos.
A
noiva,
toda
animada,
ia na
frente
da verdadeira
procissão
de
parentes
e
amigos.
A
outra
atividade
de
lazer
das
mulheres
era
a
visita
aos
parentes
e
conterrâneos,
geralmente
nos
finais
de
semana.
Já
os
homens,
embora
freqüentemente
realizassem as mesmas
visitas
e muitas
vezes
desacompanhados,
buscavam
diversão
também
nas
raias
destinadas ao
jogo
de
malha,
nas
várzeas
onde
se demarcavam
campos
para
a
prática
do
jogo
de
futebol,
e nas
mesas
de
carteados
montadas na “venda”
ou
na
casa
de
amigos.
Alguns
apreciavam as caçadas ao
tatu
e à
paca,
geralmente
realizadas nas
noites
de
lua
cheia,
assim
como
a
apreensão
de
passarinhos
como
o
canário
da
terra,
o coleiro, o
pintassilgo,
o
melro
e o
curió,
apreciados
pela
beleza
da
plumagem
e
pelo
canto.
De
um
tempo
posterior
à
emancipação
oficial
da
Colônia
temos
notícias
relativas ao
time
de
futebol
denominado Boa
Sorte
Futebol
Clube,
que
chegou a
disputar
campeonatos
amadores
na
cidade.
Durante
muitos
anos,
a
partir
do
meado
dos
anos
de 1900 e
até
o
início
do
século
XXI, o Boa
Sorte
Futebol
Clube
foi estruturado e mantido
por
João Bonin (Bonini),
proprietário
das
terras
onde
ficava a
sede
da
fazenda
Boa
Sorte,
tendo a
casa
servido de
sede
administrativa
do
Clube.
Seus
herdeiros,
muitos
dos
quais
ex-jogadores do
time,
ainda
preservam os
troféus
e
objetos
do Boa
Sorte
F.C.
João,
hoje
já
falecido,
era
o
mais
velho
filho
de
Jacinto
Bonini e Marcelina Colle, sendo
neto
paterno
dos italianos Fortunato Bonini e Maria Darglia,
que
passaram ao Brasil
em
1885
para
trabalhar
na
Colônia
Imperial
Grão
Pará,
em
Orleans, SC.
Pouco
tempo
ficaram
em
terras
catarinenses,
já
que
em
1890
já
batizavam
um
filho
em
Leopoldina.
Quando
da
organização
da
Colônia
Agrícola
da Constança, Fortunato Bonini instalou-se no
lote
23
em
25.11.1911, e dali
parte
da
família
nunca
se afastou. O
neto
João Bonin,
agricultor
por
profissão,
era
um
grande
entusiasta
do
time
de
futebol,
além
de
um
dedicado
pai
de uma
prole
de doze
filhos.
Luja Machado e Nilza Cantoni
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