Capela de Santo Antônio, símbolo da Colônia Agrícola da Constança  

100 anos da Colônia Agrícola da Constança

Criação da Colônia

Coluna Publicada n'O Leopoldinense, 15 abril 2007

 

Depois de abordarmos alguns aspectos sobre a vida dos imigrantes italianos em Leopoldina, hoje vamos recordar a criação da Colônia Agrícola da Constança, que surgiu para desenvolver a agricultura, aproveitando o braço imigrante e as facilidades para o escoamento da produção através dos trilhos da Estrada de Ferro da Leopoldina. Importante lembrar que desde a década de 1890 havia uma intensa movimentação política no sentido de facilitar a entrada de estrangeiros, de modo a atender a falta de braços para a lavoura.

A organização de colônias agrícolas em Minas Gerais, entre outros motivos, foi determinada pela necessidade de oferecer atrativos que fixassem os imigrantes em seu território. Exemplo desta preocupação manifestou o Presidente da Província, em 1895, ao declarar que as dificuldades de manter os trabalhadorespoderiam ser dominadas si o immigrante fosse obrigado a tomar o destino que se lhe designasse; mas assim não succede, pois que a livre escolha de destino está consagrada em lei, como uma das mais salutares regalias da immigração.”

Assim é que foram organizadas colônias em diversas cidades. No caso de Leopoldina, seu povoamento inicial foi constituído principalmente por imigrantes chegados antes da fundação que ocorreu, oficialmente, pelo Decreto Estadual nº 2801, de 12.04.1910, embora tenha começado a existir um pouco antes desta data.

Decreto nº 2801, de 12 de abril de 1910

 Crea uma colonia agricola no districto da cidade de Leopoldina, com a denominação de Colonia Agricola da Constança.

O Presidente do Estado de Minas Geraes, usando da attribuição que lhe confere o artigo 57 da Constituição Mineira e na conformidade do disposto no artigo I parágrafo I da Lei nº 438 de setembro de 1906, resolve crear uma colonia agricola no districto da cidade de Leopoldina, com a denominação de “Colônia Agricola da Constança”.

Palacio da Presidencia do Estado de Minas Geraes, em Belo Horizonte, 12 de abril de 1910

                                   WENCESLAU BRAZ PEREIRA GOMES

                                        Estevão Leite de Magalhães Pinto

 Relatório de 1909 informa que em 02.03.1909 o governo adquiriu as primeiras fazendas a serem loteadas para formação da Colônia. E diz, ainda, que ela foi “fundada em terras das fazendas annexadas e denominadas Constança, Sobradinho, Boa Sorte, Onça e sítio Puri”.

Num primeiro momento ela contou com uma área de 17.437.500,00 m², equivalentes a aproximadamente 360 alqueires, dividida em 60 lotes de cerca de 25 hectares ou 5 alqueires cada. Posteriormente, com a aquisição de parte da fazenda Palmeiras, a Colônia chegou aos 73 lotes que foi o seu número máximo.

Aqui vale esclarecer que, embora se tenha dito que os lotes eram de cinco alqueires, esta não era uma medida rígida. Tanto podermos encontrar lotes com 210 mil metros quadrados (4,37 alqueires), o de nº 41, como de 355 mil, eqüivalentes a 7,39 alqueires, que é o caso do lote nº 28.

Fernando Sellani, que permaneceu no posto até outubro de 1909, foi seu primeiro administrador e, João Baptista de Almeida Paula, que ocupou o lote de nº 01, a partir de 01.07.1909, foi o primeiro morador da Colônia.

No relatório de 1909 está a informação de que a Colônia contava com “17 casas definitivas para colonos, 11 provisórias, 3 engenhos para fubá, 1 dito de serra, 1 dito de beneficiar café, com motor, 2 prédios das antigas fazendas Constança e Boa Sorte, 1 roda de ferro movida à água e 1 carroça velha.”

Em 1909 a Constança acolheu 56 habitantes de 11 famílias diferentes e que ocuparam os 15 lotes até então preparados. Em 1917 esta população atingia 1065 habitantes, numa média de 15 pessoas para cada lote.

Luja Machado e Nilza Cantoni

 

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