90 ANOS DA COLÔNIA CONSTANÇA

Coluna publicada na Gazeta de Leopoldina de 23.10.1999

 

Em coluna publicada no Jornal Equipe, edição nov-dez/98, tentamos trazer ao conhecimento dos leitores um pouco da história da Colônia Constança e da sua parte que forma hoje o Bairro Boa Sorte. Ali, o objetivo era relembrar a importância da Colonização Italiana e o grande exemplo deixado por esta iniciativa de distribuição de terras.

Agora, como neste novembro de 1999 se comemoram os noventa anos da chegada dos primeiros colonos, uma data propicia para nos lembrarmos daqueles que tanto trabalharam por nossa cidade. julgamos oportuno retornar ao assunto.

Assim, a partir deste número, através da Gazeta de Leopoldina, tentaremos avivar estas lembranças publicando uma série de textos que pretendem contar uma parte da longa história desses fortes imigrantes que adotaram e desbravaram as terras leopoldinenses.

Mas antes de entrarmos pela Colônia Constança, núcleo que acolheu o maior número de imigrantes na cidade, deve ser dito que a chegada dos primeiros imigrantes ao município é bem anterior.

O Jornal O Leopoldinense, de 1881, se referia a 109 imigrantes espanhóis que o Dr. Domiciano Ferreira Monteiro de Castro fizera embarcar da Corte para a Fazenda do Socorro, de propriedade do seu irmão Tenente Vicente Ferreira Monteiro de Barros.

Rosalina Pinto Moreira, historiadora da cidade de Astolfo Dutra, no seu livro "Imigrantes Reverência", cita que em 27.08.1897, através da Hospedaria Horta Barbosa, de Juiz de Fora, vieram para a cidade, contratados pelo Dr. Olimpio Ribeiro. Emilio Marchi e os seus filhos Cesira, de 3 anos, Ricardo, de 2 e Adelmo de 8 meses. Contratados pelo Dr. Jonas de Farias Bastos, aqui chegaram Ernesto Fachini (33 anos) e Emilia (27) com os filhos Aldo (3) e Vilfredo (2) e, Ferdinando Soldati (38 anos) e Chiara (37), pais de Cesira (II), Adele (9), Primo (7), Olimpia (4) e Aldo (2 anos), todos eles originários de Marzabotto, na Itália.

Mas sem dúvida alguma o grande fluxo migratório ocorreu mesmo com a Colônia Agrícola da Constança, criada pelo Decreto Estadual n0 2801, de 12.04.1910, como fruto de parte de um acordo anterior, firmado pelo governo com as Empresas Ferroviárias, onde se previa o apoio à criação de núcleos produtivos nas proximidades das Estradas de Ferro.

Respaldando este Decreto existia a Lei n0 438, de 1906, que autorizava o governo do Estado a criar colônias para o assentamento de imigrantes, concedendo a cada colono um lote que a Lei n0 2027. de 08.06.1907 definiu como sendo de três hectares de terras.

A Constança vinha sendo planejada desde o ano anterior à sua criação e foi constituída inicialmente a partir das fazendas Constança, Boa Sorte, Onça (parte) e Puris (parte), adquiridas pelo Estado, A fazenda Boa Sorte, por exemplo, com 122 alqueires, foi adquirida em 02.03.1909, conforme nos informa o Annuario Historico Chorographico de Minas Gerais daquele ano, Em julho de 1910 o Governo incorporou à Colônia as terras da Fazenda Modelo D. Antonia Augusta e, no ano seguinte, as que formavam a fazenda Palmeiras e a fazenda Santo Antonio do Onça, esta última adquirida da Câmara Municipal, conforme a Gazeta de 30,06.1911. Mais tarde, outras terras foram anexadas

Inicialmente foram demarcados 60 lotes. No ano seguinte contavam-se 65 e, em 1911, com a aquisição da fazenda Palmeiras, o número aumentou para 68.

Esses lotes, devidamente cercados e com uma casa de morada coberta de telhas, foram vendidos principalmente aos imigrantes que ali passaram a cultivar toda sorte de produtos, a maioria deles para serem vendidos na cidade ou na "venda de secos e molhados" do Sr. Augusto Timbiras, que ficava na entrada do Bairro Boa Sorte e que se transformou num verdadeiro entreposto comercial para uma vasta regão.

Sabemos que entre novembro e dezembro de 1909, com 15 lotes preparados, foram instaladas na Constança onze famílias de colonos, sendo 8 alemãs (38 pessoas), 1 austríaca (7 pessoas), 1 portuguesa (3 pessoas) e 1 brasileira (8 pessoas).

A Gazeta de 17.04.1910 informa que no mesmo mês da criação da Colônia foram deferidos os pedidos de lotes dos colonos Frederich Zessin, Augusto Kraucher, Karl Thiers, Franz Havier, Augusto Schill. João Gerhim. Hermann Richter. Bruno Trache, Hermann Kunse e Erust Lang. Informa ainda que o lote n0 41 foi cedido a Augusto Mesquita, que João Carminatti pretendia os de números 58 e 59 e que o lote 64 havia sido adquirido por Manoel Gomes Pardal. Pelo jornal de 19.06.10 sabe-se que na Colônia também residiam o austríaco Franz Nijedlo e seus vizinhos Guilherme e Fritz Zessin.

Entretanto, quando se fala na Colônia Constança lembramo-nos logo dos italianos que, na verdade, aqui chegaram., somente a partir de 14.06. 1910, mas que constituíram o núcleo mais ativo e permanente da colônia e está a merecer um estudo mais aprofundado sobre os seus hábitos e forma vida. E um núcleo tão importante que fez a cidade contar, em 1911, com um Agente Consular Italiano, o Sr. Angelo Maciello, representante de Sua Majestade Victor Manoel III, Rei da Itália naquela época.

Entre os inúmeros italianos que vieram para Leopoldina, falaremos hoje um pouco sobre a família Colli, que se instalou na Constança no dia 28.12.1910, no lote 12 e tem como os mais antigos, Francesco Colli e Perina Gallazo, pais de Angelo, Marcelina e Santa, entre outros.

Ao que se sabe eram naturais da região de Veneto, na Itália e na chegada ao Brasil, em 1910, ficaram alojados na Hospedaria da Ilha das Flores, no Rio de Janeiro até que foram transferidos para a Colônia Constança.

Santa Colli nasceu a 17 de março, talvez do ano de 1899 e foi casada com o italiano Marino Bronzato, nascido em 1896. Desse casal são os filhos José, Geraldo, Angelina, Francisco, Maria Amélia, Luiza e Osvaldo, todos nascidos a partir de 1929.

Sua irmã Marcelina nasceu em 08.09.1900 e casou-se com Jacinto Bonin, nascido em 1888, tendo deixado os filhos João (proprietário da sede da antiga fazenda Boa Sorte), José (já falecido), Antonio, Maria, Francisco (já falecido), Anna, Fortunato (já falecido), Sebastião, Climário, Nelson e Jurandir, todos nascidos a partir de 1918. Jacinto Bonin, por sua vez, era filho de Fortunato Bonin, que residia na fazenda Paraíso antes de adquirir o seu lote na Colônia Constança.

Angelo Colli nasceu em 12.02.1907 e casou-se com Anna Zangilorami (ou, Zanzirolani), filha de Pedro Zangilorani e Pasquina. São filhos desse casal, nascidos de 1931 em diante, José (já falecido). Marina, Maria, Santa, Nelsina, Pedro, Francisco e João Carlos.

Hoje, ficamos por aqui. No próximo número falaremos sobre outros imigrantes. Mas, se você tem interesse pelo assunto, se possui documentos ou informações a respeito, não deixe de entrar em contato conosco. Será um prazer contar com a sua ajuda para homenagear este povo maravilhoso, estes lavradores operosos, que suplantando todo tipo de dificuldades, inclusive e principalmente a do idioma, nos legou os mais nobres exemplos de amor à terra que adotaram como nova pátria.

Em 2006 reiniciamos a publicação dos textos sobre a Colônia Agrícola da Constança

José Luiz Machado Rodrigues

nilza cantoni

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