90 ANOS DA COLÔNIA CONSTANÇA III

Coluna publicada na Gazeta de Leopoldina de 21.12.1999

 

Nos primeiros meses de funcionamento da Colônia, antes ainda da assinatura, em 12.04.1910, do Decreto número 2801 que a criou, foram realizados diversos preparativos muito bem detalhados no Relatório da Diretoria do ano seguinte.

A maioria das atividades foi desenvolvida já pelos primeiros colonos, pois que foram eles, os assentados no ano de 1909, os responsáveis pela construção das próprias casas onde vieram a residir e aos quais nos referimos na coluna anterior.

Precisamos esclarecer que a data registrada é a de assinatura do contrato de financiamento dos lotes e que, além das famílias de João Baptista de Almeida Paula, Mathias Hensul, Franz Ketterer, August Krauger, August Schill, Wilhelm Zessin, Augusto Mesquita, Franz Negedlo, Karl Thier, Fritz Zessin e Hermann Richter, outros colonos trabalharam na implantação daquele núcleo.

 

LOTE

COLONO

ENTRADA

SAÍDA

31

Krause, Herman

27.01.1910

30.06.1910

51

Lang, Ernest

27.01.1910

 

44

Schaden, Franz

27.01.1910

30.06.1910

32

Troche, Bruno

27.01.1910

06.06.1910

37

Cartacho, Manoel da Cruz

30.01.1910

 

Vale lembrar que os motivos para a demora da assinatura dos contratos foram bastante variados, com incidência maior para a dificuldade de comunicação com o Governo do Estado e o trâmite dos papéis necessários à efetivação do empréstimo.

Quanto à produção da Colônia, segundo o já citado Relatório, no período "A area cultivada é de 65,5 hectares, a inculta de 1.678 hectares. ....cultivam-se milho, arroz, feijão, hortaliças e alvores fructiferas, cuja producção não é conhecida, visto não terem sido effectuadas ainda as colheitas." E são mencionados também "os aggregados por meiação, em virtude de contracto com os ex-proprietários das fazendas... Destes, foram, em 1909, arecadados 5 carros e 5 alqueires de milho, 4.617 kilos de café em côco e 1.559 ditos de arroz em palha." Ressalte-se que alguns destes "aggregados por meiação" tornaram-se, algum tempo depois, colonos como os outros, através da assinatura dos já relatados contratos de financiamento.

É de se registrar que enquanto as 11 mencionadas famílias, assentadas em 1909, somavam 38 pessoas, o total de moradores da colônia, em dezembro daquele ano, era de 56, sendo 31 do sexo masculino e 25 do feminino.

A respeito das famílias assentadas merece ficar claro que, quando dissemos em texto anterior que os italianos, embora não tenham sido os pioneiros da Colônia Constança, foram os que a desenvolveram, o fizemos porque desejávamos falar também dos imigrantes que desistiram dos trabalhos na Colônia. E pelo que expusemos até agora, dos 16 colonos assentados no primeiro ano, 7 (sete) a abandonaram, tendo sido inscritos como devedores do Estado. Outros dois abandonaram a Colônia no ano seguinte.

O que não sabemos ainda é se os desistentes saíram definitivamente de Leopoldina. Até o momento não nos foi possível encontrar dados sobre as famílias de August Krauger, August Schill, Franz Negedlo, Karl Thier, Bruno Troche, Herman Krause, Franz Schaden, Angelo Bucciol e Demetrio de Lorenzi.

É nossa intenção, tão logo seja possível, identificar também os imóveis remanescentes.

Segundo o Relatório, a 31 de dezembro de 1909 a Colônia contava com "17 casas definitivas para colonos, 11 provisórias, 3 engenhos para fubá, 1 dito de serra, 1 dito de beneficiar café, como motor, 2 predios das antigas fazendas "Constança" e "Onça", 1 roda de ferro movida a agua e 1 carroça velha".

A CHEGADA AO BRASIL

Na documentação que pesquisamos até o momento, diversas vezes encontramos, entre os moradores da Colônia Constança, aqueles que declararam a chegada ao Brasil em 1896. Alguns incluíram, inclusive, a informação de desembarque pelo Vapor Colombo. Outros, como Augusta Pradal, indicaram a data como sendo março daquele ano.

Giovanni Batista Pradal veio para o Brasil com a mulher, Ursula Dalsin e a filha Augusta, nascida a 04.10.1875 em Treviso. Augusta Pradal foi casada com Arthur Togni, nascido a 30.05.1869 em Rovigo, filho de Luigi Togni e Maria Bassi. Augusta e Arthur, são os pais de Euclides Togni, nascido em Valença-RJ e que se casou, em Leopoldina, a 09.10.1932, com Isolina Meneghetti. Como curiosidade, no texto anterior mencionamos as grafias Toni e Tonhi, como variações de Togni. O mesmo ocorre com o sobrenome Meneghetti, que Leopoldina conhece nas formas mais variadas (Meneghite, Meneghitti, Meneguite etc.).

Acreditamos que Giovanni Batista Pradal seja parente de Manoel Gomes Pradal, que a 25.11.1911 instalou-se no lote nº 2 da Colônia Constança. [Revisão]

Pesquisamos diversas relações de passageiros daquele ano e não encontramos a família Pradal. Porém, na Relação de Viajantes do Vapor Colombo, aportado no Rio de Janeiro em 03.04.1896, encontramos outras famílias que residiram em Leopoldina.

A de Francesco Rancan, nascido em 1843 e casado com Angela Coradini, nascida em 1849 e que desembarcou com os filhos Luigi, nascido em 1874; Carolina, nascida em 1880, em Verona; Angelo, nascido em 1882 e, Maria, nascida em 1886. Desta família sabe-se que a segunda filha, Carolina, casou-se em Leopoldina, em 1911, com Luigi Maimeri, filho de Angelo Maimeri, cuja família chegou ao Brasil pelo mesmo navio. Do casamento de Luigi e Carolina nasceu, em Santa Isabel (Abaíba)-Leopoldina, em 1908, João Batista Maimeri que, em 03.12.1932 veio a se casar, em Leopoldina, com Lourença de Freitas Dias, nascida em 1915, também em Santa Isabel.

A família Maimeiri viajou no mesmo navio. Ângelo Maimeri, nascido em 1840, foi casado com Maria Rancan cujo nome não aparece na lista de desembarque. Com ele, chegaram apenas os filhos Luigi, nascido a 26.10.1872, em Verona, a quem já nos referi-mos acima; Amalia, nascida em 1878; Santa, nascida em 1880 e, Angela, nascida em 1883.

No mesmo Vapor Colombo encontramos, ainda, um Alessandro Bedin, nascido em 1866 e uma família Bertoli, talvez parentes de Celeste Bartoli, casada com um outro Alexandre Bedin, nascido em 1889, a quem já nos referimos na coluna anterior.

Por hoje ficamos por aqui. No próximo número da Gazeta estaremos de volta. Aguardamos a sua colaboração para que possamos contar, com mais detalhes, a história da Colônia Constança e dos demais imigrantes que vieram para Leopoldina.

Em 2006 reiniciamos a publicação dos textos sobre a Colônia Agrícola da Constança

José Luiz Machado Rodrigues

nilza cantoni

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