90 ANOS DA COLÔNIA CONSTANÇA V

Coluna publicada na Gazeta de Leopoldina de 18.02.2000

 

Dando prosseguimento ao resgate da história da Colônia Constança, passaremos a analisar o RELATÓRIO DA DIRETORIA DA AGRICULTURA, TERRAS E COLONIZAÇÃO, ano de 1911, contemplando as mudanças ocorridas no primeiro ano de efetiva existência daquele núcleo agrícola.

Criada em 1910, conforme Decreto número 2801 de 12.04.1910, no distrito da cidade de Leopoldina, tinha a Colônia uma área de 18.797.500 metros quadrados, dividida em 65 lotes e 2 logradouros públicos. Logo em seu primeiro ano, o Estado concluiu pela mudança da destinação dos espaços públicos e os incorporou à área agricultável, na forma de três novos lotes. Desta forma, a Colônia passou a contar com 68 lotes.

Ainda com o propósito de aumento do número de lotes, foi também adquirida a Fazenda Palmeiras. Pelo relatório que o Presidente da Província de Minas Gerais apresentou em 1912, prestando contas de sua administração no ano anterior, ficamos sabendo que a Fazenda Palmeiras pertencera ao Sr. Fernando Sellani, fora adquirida por 12:000$000 e que constava de 25 alqueires em matas, pastagens, 10.000 pés de café, arrozal, milharal, canavial, 1 casa (sede), 6 casas para colonos, 1 engenho de cana, 1 moinho de fubá e 1 paiol para milho.

Esta fazenda foi então dividida em 5 lotes passando a colônia a contar com 73 lotes. Ao final do exercício de 1912, apenas 64 destes lotes estavam ocupados, sendo que apenas um por título definito.

É importante observar que os lotes variavam de tamanho. O menor deles, o de número 41, foi financiado ao Sr. Augusto Mesquita e possuía uma área de 210 mil metros quadrados. O maior, de número 28, com 355 mil metros quadrados, foi financiado ao Sr. Leopoldo Abolis.

E para que se tenha uma idéia dos valores envolvidos, analisemos o quadro a seguir.

Lote número

11

13

28

41

Preço do Lote

1:715$000

1:650$000

2:185$000

1:470$000

Adiantamento em espécie

360$000

360$000

360$000

360$000

Despesas de preparo do lote

423$250

508$800

609$800

15$300

Ferramentas fornecidas

20$770

25$300

23$520

28$320

Médico e Farmácia

13$900

14$100

23$000

-o-

Valor da Casa

820$000

820$000

820$000

820$000

Total do débito

3:352$920

3:378$200

4:021$320

2:693$920

Amortizado em 1911

47$700

1$200

12$600

101$012

Famílias dos Colonos

Nos textos anteriores falamos dos colonos da Constança, assentados entre julho de 1909 e janeiro de 1910. Hoje começaremos a mencionar os que foram instalados no mês de junho de 1910.

Além de Santo Sellani, já mencionado, outras onze famílias chegaram naquele mês à Colônia, sendo sete delas no dia 14.06.1910. Os italianos Fofano eram duas destas famílias.

Carlo Batista Fofano, filho de Francesco Fofano e Luiza Carrara, nasceu em Mogliano, no Veneto. Casou-se em Piacatuba, no dia 19.09.1903, com Adele Maria Estevam, filha de Vicenzo Estevam e Maria Bedin. Ao casar-se, Adele declarou ter nascido em Burgio – Itália. O casal Carlo e Adele declarou ainda ter vindo da Itália na companhia dos pais. Até o momento localizamos apenas um filho deste casal, José Fofano, nascido em Leopoldina em 1909, casado a 23.09.1931 com Regina Meneghetti, nascida em Leopoldina em 1911. Este casal ocupou o lote 27 da Colônia Constança.

O outro colono foi Paschoal Domenico Fofano que ocupou o lote 8. Em 1921 Paschoal casou-se, em Leopoldina, com Olivia Meneghetti. Na ocasião a noiva declarou ter nascido em 1879, na Província de Veneza, sendo filha de Luigi Meneghetti e Maria Verona e ter chegado ao Brasil em 1887. O noivo declarou apenas ser natural da Itália. Acreditamos que este tenha sido um segundo casamento de Paschoal, uma vez que existe uma filha sua, de nome Maria Carolina Fofano, nascida em 11.07.1899, em Tebas ou, o que também é possível, o seu casamento religioso teria ocorrido por volta de 1898 mas somente em 1921 o casal se preocupou em fazer a cerimônia civil, o que era bastante comum na época. Maria Carolina Fofano casou-se, em Leopoldina, dia 08.06.1918, com João Bonini, nascido a 01.06.1890 em Leopoldina, filho de Fortunato Bonini e Maria Darglia.

Através dos Fofano, observamos mais um caso de colonos que foram instalados na Constança muito tempo depois de terem vindo para o Brasil. Isto ocorreu porque muitos imigrantes foram contratados pela Província de Minas Gerais entre os anos de 1887 e 1894, com o objetivo de substituir a mão de obra escrava. Desembarcados no Porto do Rio, eram encaminhados para Hospedarias de Imigrantes de onde saiam sob contrato com algum fazendeiro ou mesmo alguma câmara municipal. No caso de Leopoldina, já encontramos famílias que desembarcaram no Rio em 1894, ficaram alguns dias na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora e foram contratados pela Câmara Municipal de Leopoldina que os encaminhou para fazendas do município. Muitos desses imigrantes, quando da criação da Colônia, ali adquiriram lotes e passaram a cuidar da sua própria terra.

Em 2006 reiniciamos a publicação dos textos sobre a Colônia Agrícola da Constança

José Luiz Machado Rodrigues

nilza cantoni

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